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3 maneiras de tocar no assunto: monólogos contra a homofobia

De em março 14, 2020

Peça: 3 maneiras de tocar no assunto, foto 1

Leonardo Netto é o autor do texto e o protagonista do espetáculo

 

Depois de uma temporada premiada no Rio de Janeiro, a peça 3 maneiras de tocar no assunto, direção de Fabiano de Freitas, termina suas apresentações no Sesc Ipiranga na próxima semana. O espetáculo, escrito e protagonizado por Leonardo Netto, reúne três solos que denunciam a homofobia.

O primeiro, O homem de uniforme escolar, retrata o bullyng no universo acadêmico, com histórias reais e as tristes consequências físicas e emocionais. O segundo solo, O homem com a pedra na mão, traz o depoimento de um frequentador do famoso bar de Nova York, Stonewall, quando da invasão policial em 1969; a revolta de gays, travestis e lésbicas contra a repressão policial passou a ser o símbolo do orgulho gay. Já o terceiro solo, O homem no Congresso Nacional, é focado no depoimento de um deputado federal (assumidamente gay) na tribuna do Congresso Nacional lutando pelos direitos da comunidade LGBTQI+ e denunciando os ataques homofóbicos, tanto a ele como a todos da comunidade (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queer e intersexuais).

 

 

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Primeiro solo denuncia bullyng no ambiente escolar

 

 

No pequeno e confortável auditório o público ao entrar é recepcionado pelo ator. Num cenário de poucos elementos, o primeiro solo tem início com ator debruçado com a cabeça numa bacia de acrílico cheia d’água. É desta forma impactante que o espectador se depara com um tipo muito comum de ‘brincadeira’, que na verdade é tortura, que crianças e adolescentes sofrem nas escolas por seus colegas e algozes. Com histórias reais e de forma didática o ator vai destrinchando todos os tipos de bullyng e as consequências físicas e emocionais que estas agressões causam, muitas vezes com o suicídio das vítimas. Qualquer característica física (peso, altura, se a pessoa usa aparelho dentário etc) é motivo da intolerância, mas a homofobia é o que mais causa as agressões. Por tratar de tema tão próximo dos jovens, o solo já foi apresentado separadamente para escolas.

 

 

 

 

Já o segundo episódio é centrado num personagem fictício, mas com referência direta a um fato determinante da história de luta pelos direitos LGBTQI+. A Revolta de Stonewall, em junho de 1969, em Nova York, em que as próprias vítimas da repressão policial — gays, lésbicas e travestis — se rebelaram passou a ser um marco do orgulho gay comemorado até hoje no mundo todo.

 

 

 

 

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Solo sobre a Revolta de Stonewall

 

No terceiro solo Leonardo fez uma pesquisa detalhada sobre a vida pública do ex-deputado federal Jean Wyllys e construiu um personagem, o primeiro deputado federal assumidamente gay, que da tribuna do Congresso Nacional comemora o dia do orgulho gay e denuncia as agressões homofóbicas e o fato do Brasil ser considerado o país que mais mata membros da comunidade LGBTQI+.

 

 

 

 

 

“Homofobia mata. Estamos vivendo um retrocesso, um conservadorismo estúpido. A população LGBT no Brasil está alijada de quase setenta direitos previstos na Constituição Federal. Para que fique bem claro que ninguém está a salvo em uma sociedade retrógrada e preconceituosa, é preciso tocar nesse assunto. Agora mais do que nunca”, enfatiza Leonardo Netto.

 

Com esta dramaturgia incisiva, o espetáculo ganha uma importância e uma necessidade extrema de ser encenado, justamente hoje que o mundo e o Brasil vivem um momento tão conservador, retrógrado e intolerante. Com uma direção focada na atuação, Leonardo Netto tem uma performance comovente e ao mesmo tempo provocativa. Destaque ainda para a iluminação que pontua a narrativa e para o belo figurino. Imperdível, apresentações somente até o próximo domingo, dia 22/03.

 

 

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Solo inspirado no ex-deputado Jean Wyllys

 

Roteiro:
3  maneiras de tocar no assunto. Texto e atuação: Leonardo Netto. Direção: Fabiano de Freitas. Cenografia: Elsa Romero. Figurino: Luiza Fardin. Iluminação: Renato Machado. Direção de movimento: Marcia Rubin. Trilha sonora: Rodrigo Marçal e Leonardo Netto. Visagismo: Márcio Mello. Vídeos: Leonardo Netto. Design gráfico: Lê Mascarenhas. Fotografia: Dalton Valerio. Direção de produção: Rafael Faustini e Luísa Barros. Produção: Fulminante Produções Culturais.
Serviço:
Sesc Ipiranga, Auditório (30 lugares), Rua Bom Pastor, 822, tel. 11 3340-2000. Horários: quinta e sexta às 21h30, sábado às 19h30 e domingo 18h30. Ingressos: R$30, R$15 e R$ 9. Vendas: online ou nas bilheterias do Sesc. Duração: 80 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 22/03.

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