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A Dama de Negro: peça de suspense encerra temporada no final do mês


Peça: A Dama de Negro, foto 1

Ben-Hur Prado e Josafá Filho interpretam vários papéis na trama de mistério, que faz sucesso desde 1988 pelo mundo

Sob direção de Roberto Lage, a montagem brasileira da peça A Dama de Negro, em cartaz no Teatro Nair Bello só até o dia 27 de julho, utiliza a adaptação teatral de Stephen Malattrat do romance The Woman in Black da escritora britânica Susan Hill. Assim a história central do romance, em que o jovem advogado Arthur Kipps aceita a missão de seus chefes de representar o escritório no funeral de uma velha cliente e organizar o inventário dela, é retratada de outra maneira. A trama começa com Kipps (Ben-Hur Prado), já mais velho, tentando encenar a peça que escreveu sobre sua aventura vivida no início de sua carreira; ele acredita que ao contar tudo o que viveu na Casa do Pântano, quando remexeu no passado da velha cliente, possa exorcizar todos os fantasmas que o acompanham até então. No entanto, sem talento na arte de representar, Kipps procura um ator, vivido por Josafá Filho, que tenta ajudá-lo. O ator, ao perceber que Kipps realmente não teria condições de atuar, assume o papel do advogado e interpreta a misteriosa e intrigante história do advogado. O público percebe que está diante de uma peça dentro de outra peça.
A missão de Kipps é dar início ao inventário da Sra. Drablow, mas já em seu enterro ele vislumbra uma mulher toda de negro, que irá modificar o destino de sua missão. Mesmo sem saber o porquê da população da pequena cidade mercante de Crythin Gifford se recusar a lhe dar informações, ele parte para a Casa do Pântano, que fica longe da cidade e é de difícil acesso. Lá dá início a seu trabalho de pesquisa dos documentos da cliente, mas começa a ouvir ruídos estranhos, a ver vultos e novamente vê a enigmática mulher de negro.

Peça: A Dama de Negro, foto 2

O enredo é uma peça dentro de outra peça

A todo o momento há a quebra da narrativa e o ator comenta com o velho advogado sobre a encenação de sua história; eles trocam o figurino, modificam os objetos de cena e novamente voltam a encenar a peça escrita por Kipps. Desta forma, o espectador fica atento aos dois momentos narrativos e é envolvido totalmente no clima de mistério e terror da trama, culminando com um desfecho revelador e surpreendente.
Além de um texto com uma trama bem articulada, A Dama de Negro se destaca pela direção criteriosa do diretor Roberto Lage, que sabe como ninguém usar de recursos sonoros vindos do fundo da plateia e de uma iluminação precisa para criar o clima de suspense que a peça exige. No dia em que assisti ao espetáculo, a reação de pânico do público ao final é o aval do grande sucesso que a peça conquista pelo mundo desde sua estreia, há mais de 20 anos. Quem gosta da tensão de histórias de terror não pode perder. Em cartaz só até o final do mês.

Fotos: Peri José.

 

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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