Peça: A Dor, foto 1

A Dor: mulher espera volta do marido, preso em campo de concentração

De em janeiro 12, 2017

Peça: A Dor, foto 1

Em monólogo, Rita Grillo interpreta a escritora Marguerite Duras

A angústia e o desespero de uma mulher que passa os últimos anos da segunda guerra mundial à espera do marido, preso pelos nazistas e levado aos campos de concentração. Sem qualquer notícia, ela vaga e almeja encontrar o companheiro. Este o mote central da peça A Dor, que cumpre curtíssima temporada no Teatro Pequeno Ato até o final deste mês.

Monólogo da atriz Rita Grillo, com direção de Vanessa Bruno, é a transposição para o palco da obra La Douleur, da escritora Marguerite Duras, que é a compilação de diários da escritora produzidos durante os anos que esperou pela volta de Robert Antelme.

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Atriz assina a tradução da obra

A própria sala de espetáculo contribui para a proposta cênica: são apenas 30 lugares, o que faz com que os espectadores fiquem bem próximos da atriz e consequentemente da história que será narrada. Além do espaço, a iluminação, de Aline Santini, e o cenário diminuto de Anne Cerutti (duas poltronas e dois aparelhos de telefone) em tons cinza/sépia intensificam o drama vivido pela personagem. O publico ao entrar já se depara com a atriz em cena e o clima já se estabelece: desesperada e sem ter o que fazer a não ser esperar, aquela mulher é o retrato da angústia e dos horrores que uma guerra provoca.

“Marguerite Duras é realmente uma mulher do século XX. Passou por guerras, resistência, machismo e é o símbolo do feminismo. Mudou as tendências literárias e cinematográficas. Na peça, a obra ganha um deslocamento da literatura para o palco e todos esses elementos contribuem para a construção cênica”, afirma a diretora Vanessa Bruno.

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Rita dispõe de poucos elementos e tem uma atuação visceral

O espetáculo, que revela o drama da espera daquela mulher — que pode ser estendido pela espera de um amor ou da paz, como argumenta a diretora no programa da peça —, só ganha tamanha dimensão graças à interpretação visceral de Rita Grillo, que não precisa de arroubos de movimentos ou voz, mantém um tom uniforme que potencializa a crueza dos fatos. A atriz é uma pesquisadora de Marguerite Duras e assina a tradução da obra que fundamenta o espetáculo, produzido pelo grupo Vulcão [criação e pesquisa cênica]. Mais uma ótima produção deste início de ano; pena que a temporada é tão curta. Quem se interessar, o grupo irá promover conversas com a plateia depois das apresentações sobre os temas da peça e a atriz também irá promover workshop. Informações no site vulcao.art.br

 

Fotos: Maurício Pisani, Cézar Siqueira, Victor Iemini, Bob Souza.


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