A peça “dizer e não pedir segredo” volta a ser apresentada nesse final de semana

De em junho 24, 2011

Ronaldo Serruya e Luiz Gustavo Jahjah em cena

Depois de pequena e bem sucedida temporada no final do ano passado, a peça dizer e não pedir segredo volta a ser apresentada nesse final de semana, dentro da programação paralela da 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
O espetáculo é o resultado de uma longa pesquisa cujo objetivo era refletir sobre a homossexualidade no Brasil, “de tentar entender o que seria a construção de uma identidade gay em paralelo à construção de uma identidade brasileira”, segundo Luiz Fernando Marques, que assina a direção. O livro Devassos no Paraíso – A homossexualidade no Brasil, da Colônia à Atualidade, de João Silvério Trevisan, foi o ponto de partida da montagem.
A encenação começa desde a chegada do público, que é convidado a pegar um dos adereços que servirá para que os atores (Luiz Gustavo Jahjah, Paulo Arcuri e Ronaldo Serruya) desenvolvam as histórias. Como o objetivo é mostrar a vida gay no Brasil, desde o descobrimento até os nossos dias, os atores lêem cartas reveladoras, como a famosa de Pero Vaz de Caminhas anunciando a terra “onde tudo o que se planta dá” e em que os habitantes viviam nus, até a carta emocionada do escritor Caio Fernando Abreu em que ele relata estar contaminado com o vírus HIV. Os relatos não seguem uma cronologia, os tempos ficam embaralhados com o objetivo de se ter um olhar sobre o desejo.
A cumplicidade da plateia é total, não só com a interação dos objetos de cena e figurino, mas principalmente com pequenos depoimentos que são dados numa cena emocionante: os atores amarram todas as histórias e perguntam como cada um vivia com o menino ou a menina que carregava nas costas aos 15, 18, 27, 34, 56 ou 81 anos! O programa da peça termina dizendo que os espectadores, ao escolher os assentos e adereços, compõem o ambiente de estar. “E assim, assumindo a responsabilidade por nossas escolhas, todos nós revelamos aquilo que somos. Nas nossas ricas diferenças”.

Fotografia: Adalberto Lima


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