Peça: A Ponte, foto 1

A Ponte: peça do canadense Daniel MacIvor revê a relação entre 3 irmãs

De em fevereiro 7, 2019

Peça: A Ponte, foto 1

Bel Kowarick, Debora Lamm e Maria Flor vivem irmãs que se encontram antes da morte da mãe

O dramaturgo canadense Daniel MacIvor — conhecido no país pelo ator e diretor Enrique Diaz que dirigiu In On It/10(link) e A Primeira Vista/13 e atuou em Cine-Monstro/13, além de Aqui Jaz Henry/18 produção de Renato Wiener— tem mais uma de suas peças encenadas no Brasil. Depois de passar por Belo Horizonte/MG, A Ponte, com direção de Adriano Guimarães e pela primeira vez montada no país, tem temporada prevista até final de março no CCBB-SP.

A trama gira em torno da reunião de três irmãs na casa da mãe, que está na iminência de morrer; Theresa, a mais velha, vivida por Bel Kowarick, é freira e vive numa colônia religiosa. Já Agnes, papel de Debora Lamm, deixou a cidade natal há tempos e tenta se manter como atriz na capital e, por último, Louise, a caçula interpretada por Maria Flor, é a que cuida da mãe, mas vive em seu mundo interior, além de ser viciada em séries de TV. O reencontro, que acontece na cozinha da casa onde foram criadas, irá provocar uma profunda revisão de valores e mudanças na percepção da vida em cada uma delas.

Peça: A Ponte, foto 2

Apesar das dificuldades, elas tentam reatar os laços de amor

 

O cenário, todo vermelho, inclusive os utensílios domésticos, é a cozinha da casa, tendo uma grande mesa no centro onde as irmãs se encontram. Toda a trama é pontuada por uma tela abaixo da mesa, em que há a projeção da descrição e o momento que desenrola cada cena. Agnes é a primeira a chegar e num grande solo (as outras também terão os seus no decorrer da peça), não só se apresenta como relata um sonho que tem de forma recorrente: está sempre se afogando. Ela é recebida por Theresa, que tenta explicar sobre o estado de saúde da mãe que só se comunica por bilhetes com símbolos. Louise chega da rua e se porta como se elas sempre estivessem ali.

 

No entanto, o estado terminal da mãe provoca um embate entre as irmãs; as discussões se referem tanto sobre o momento atual da vida de cada uma delas como desavenças e fatos ocorridos no passado, o que desperta uma reavaliação de valores e posturas diante da vida. O conflito de ideias perturba no início, mas faz com que elas tentem reatar os laços de cumplicidade e amor.

 

 

“Este texto fala sobre relações humanas profundas e essenciais para qualquer pessoa. O que a peça tem de mais interessante é a discussão sobre a função da família na vida de cada indivíduo. Apesar das diferenças, as irmãs têm as mesmas origens e referências e mesmo com todas as dificuldades, elas se ajudam, se fazem crescer e amadurecer”, explica Maria Flor, que ao lado de Bel Kowarick, responde pela produção do espetáculo.

 

 

Assim como Agnes, Theresa e Louise também têm momentos solo, que propiciam que o espectador compreenda a personalidade e o modo de vida delas — a freira conta como vive na colônia religiosa e sobre sua semelhança com a mãe; já a caçula fala sobre alguém que caminha numa estrada sem destino. Como em suas outras peças, em A Ponte MacIvor surpreende o público ao revelar mistérios ocultos no início da trama; e o final também pode causar surpresa.

 

Peça: A Ponte, foto 3

Debora Lamm: atuação surpreendente

 

Além da dramaturgia de empatia com a plateia, o maior destaque do espetáculo é o entrosamento em cena das três atrizes. Mas Debora Lamm, conhecida do grande público por seus papéis cômicos, tem a chance de mostrar todo seu talento dramático. Vale a pena conferir, o espetáculo permanece em cartaz até 25/03. Programe-se.

 

 

Roteiro:
A Ponte
. Texto: Daniel MacIvor. Tradução: Bárbara Duvivier.  Dramaturgia: Emanuel Aragão. Direção: Adriano Guimarães. Elenco: Bel Kowarick, Debora Lamm e Maria Flor. Assistente de direção e stand in: Liliane Rovaris. Cenografia: Adriano Guimarães e Ismael Monticelli. Figurino: Ticiana Passos. Iluminação: Wagner Pinto. Direção de movimento: Denise Stutz. Programação visual e fotografia: Ismael Monticelli. Produção executiva: Adriana Salomão. Direção de produção e idealização: Bel Kowarick e Maria Flor.
Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (140 lugares), Rua Álvares Penteado, 112, tel. 11 3113-3651. Horários: sexta, sábado e segunda às 20h; domingo às 18h. (sessões extras: 21 e 22/02 e 07/03, às 20h). Ingressos: R$ 30. Duração: 110 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 25 de março.

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Marcos Zaccharias Publicitário

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