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A Primeira Vista, peça de Daniel Maclvor sobre a amizade de duas mulheres


Peça: A Primeira Vista, foto 1

Drica Moraes e Mariana Lima interpretam duas amigas que se encontram e desencontram durante a vida

Com texto repleto de jogos dramáticos, o canadense Daniel MacIvor volta a encantar as plateias brasileiras. E novamente pelas mãos do diretor Enrique Diaz, que já nos brindou anos atrás com In On It, brilhantemente interpretado por Emílio de Mello e Fernando Eiras.
Desta vez, com A Primeira Vista (A Beautiful View), em cartaz no SESC Pompeia, o espectador se vê enredado desde o início à trama envolvendo duas mulheres, vividas por Drica Moraes e Mariana Lima. Vestidas praticamente com o mesmo figurino (calça jeans e camiseta), as duas em cada cena evoluem na relação, de um estranhamento inicial a uma amizade profunda. Mas entre um e outro estágio elas vivem diferentes fases: começam a se encontrar meio por acaso, depois os encontros são mais assíduos e próximos, há o distanciamento com um ligeiro atrito para novamente elas se reencontrarem. A plateia é cúmplice de ambas e é obrigada a criar o fio condutor da história.

Peça: A Primeira Vista, foto 3

As personagens vão de um estranhamento inicial a uma amizade profunda

O que une as duas mulheres é o gosto pela música pop, tanto que os primeiros encontros foram em shows de bandas de rock. Elas até tentam montar uma banda, mas não têm talento e muito menos disposição para esta aventura:

 

“As personagens até tem ambições, mas nada vai muito para frente, são pessoas absolutamente comuns. A peça fala muito de libido, não somente a libido sexual, mas a energia que usamos para realizar ou não as coisas”, esclarece Enrique Diaz.

Peça: A Primeira Vista, foto 2

O diretor Enrique Diaz. posa ao lado de Drica e de sua mulher, Mariana

 

Daniel MacIvor — ator, diretor, roteirista de cinema e dramaturgo — tem pleno domínio da arte de representar e cativa o espectador exatamente pelos jogos dramáticos que propõe em suas peças. Se no início o espectador imagina um perfil para cada uma daquelas mulheres, com o desenrolar da trama esta ideia pode ser exatamente o oposto do que se imaginou no início. Elas são apenas fãs de música ou são amantes ou simplesmente amigas. Cada um é forçado a descobrir o destino das personagens:

 

“Os pontos de vista divergentes das personagens são compartilhados com a plateia, de modo que as cenas ganham leituras diferentes e o espectador monta a própria estrutura a partir dessa relação caótica e hilariante. É uma engrenagem complexa, mas de modo algum hermética”, diz o diretor.

Com cenário, assinado por Marcos Chaves, simples e de poucos elementos que as próprias atrizes trazem ao palco e iluminação sensível de Maneco Quinderé, A Primeira Vista surpreende e emociona pelo entrosamento de Drica e Mariana em cena, parece que elas estão brincando com o belo e comovente texto de MacIvor, fazendo jus ao significado do termo play em inglês: brincar, interpretar, jogar!
A peça percorreu diversas cidades brasileiras — foi encenada até em Portugal — e fica em São Paulo até final de maio. Não deixe de conferir!

Fotos: Leo Aversa

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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