Mostra: Trem das onze, foto 1

Adoniran Barbosa: mostra sobre vida e obra do multiartista paulista

De em julho 30, 2018

Mostra: Trem das onze, foto 1

Trem das Onze- uma viagem pelo mundo de Adoniran, no Farol Santander até dezembro

Com um título mais do que apropriado — Trem das Onze- uma viagem pelo mundo de Adoniran —, a exposição que o Farol Santander apresenta é um verdadeiro mergulho na vida e na obra de João Rubinato, nome de batismo do multiartista paulista Adoniran Barbosa, que nasceu em Valinhos em 1910 e faleceu em 1982, aos 72 anos.

Dividida em dois andares do prédio, a mostra é constituída basicamente com o acervo pessoal do artista e reúne dentre mais de 100 peças, discos, partituras, fotografias, vídeos, documentos e objetos criados por ele. Além da carreira musical, com os três LPs gravados de seus grandes sucessos, como Trem das Onze, Saudosa Maloca, Iracema, Bom Dia Tristeza e Tiro ao Álvaro, a exposição também retrata a carreira de ator de Adoniran Barbosa, que atuou no rádio (em radionovelas), no cinema (com participação em mais de 10 em filmes) e na TV (em várias telenovelas). Há ainda o espaço dedicado ao hobby do artista: ele mantinha em sua casa uma pequena oficina onde criava inúmeros objetos e brinquedos, como a famosa réplica do trem das onze, que está em pleno funcionamento na exposição.

Mostra: Trem das onze, foto 2

Discos, partituras, fotos e registro das gravações

Com curadoria do jornalista Celso de Campos Jr. e do cineasta Pedro Serrano, a mostra começa ressaltando a carreira musical de Adoniran Barbosa, mais conhecida do grande público. Ao entrar na primeira sala, Saudosa Maloca, o público se depara com fotos da infância e do início da carreira, documentos pessoais, objetos domésticos, partituras da famosa canção e um vídeo com Adoniran cantando a música. Há ainda objetos espalhados por todo o ambiente (inclusive pendurados no teto), como livros, bicicleta, violão, máquina fotográfica, abajur e roupas, numa alusão à maloca do artista.

A segunda sala, Trem da Onze, destaca o samba lançado em 1964 (sucesso do Carnaval de 1965) e que se tornou a canção mais característica da obra de Adoniran. Há ainda uma instalação com um trenzinho em funcionamento que percorre a cidade de São Paulo, além dos compactos e o registro da primeira gravação de Adoniran num estúdio. Na sequência, o visitante entra numa sala que reproduz um vagão de trem, com os maleiros, os bancos e nas mesas há as partituras das músicas do compositor. Ainda neste clima, o próximo ambiente reproduz a plataforma e o interior de um vagão de metrô (as placas indicativas das estações são com as músicas do segundo disco de Adoniran, que foi prefaciado por Antonio Cândido:

“A sua poesia e a sua  música ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em particular. Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da Cantareira”.

 

Mostra; Trem das onze, foto 3

Reprodução de um vagão de metrô

Outro destaque da mostra é o espaço dedicado ao LP Adoniran Barbosa – 70 anos, produzido por Fernando Faro em 1980, com grandes sucessos do artista e duetos inesquecíveis dele com Elis Regina, Clara Nunes, Gonzaguinha, Carlinhos Vergueiro e Clementina de Jesus.
Para fechar este primeiro andar, os curadores reproduziram a oficina de Adoniran, com as ferramentas que ele usava e os objetos que criava, como bicicletas, brinquedos, móveis, o parque de diversões e a réplica do trem das onze, além do vídeo em que o artista confessa: “Faço meus sambas e faço meus trenzinhos”.

 

 

 

Mostra: Trem das onze, foto 4

Vitrine com fotos do filme ‘O Sertanejo’, em que Adorniran viveria Antônio Conselheiro

O segundo andar é dedicado ao ator Adoniran Barbosa; inicialmente o visitante tem acesso às cabines com os principais filmes que ele participou (com fone de ouvido pode-se acompanhar trechos das produções), além de suas participações em telenovelas. Há também uma instalação com o chapéu, a gravata borboleta e o sapato dele e vitrines com fotos, cartazes, roteiros e um espaço para O Sertanejo, filme que não saiu do papel e que Adoniran viveria Antônio Conselheiro. Há ainda um trailler do filme Meu nome é João Rubinato, de Pedro Serrano que será lançado neste ano e um espaço voltado às radionovelas em que Adoniran criou tipos engraçados como Charutinho.

E a mostra termina em grande estilo com a Sala da Garoa: o visitante entra e faz uma viagem no tempo; no espaço circular há fotos de São Paulo e de Adoniran e o chão espelhado reproduz a garoa característica da cidade. Com o som de chuva, o efeito causado é como se estivéssemos num passeio por São Paulo tendo Adoniran Barbosa como guia!

 


Roteiro:
Trem das Onze- uma viagem pelo mundo de Adoniran– mostra sobre a vida e obra de Adoniran Barbosa.Curadoria: Celso de Campos Jr. e Pedro Serrano.Concepção: Cassio Pardini e CaseLúdico. Produção executiva: João Carlos Almendra e Julio Cesar Cardoso.
Serviço:
Farol Santander, Rua João Brícola, 24 (estação São Bento do metrô). Horários: de terça a sábado das 9h às 20h; domingo das 9h às 19h. Ingressos: R$ 20. Vendas: bilheteria e pelo site farolsantander.com.br. Temporada: até 30 de dezembro.

 

Mostra: Trem das-onze, foto 5

Sala da Garoa

Fotos: David Rosseto/Latina Estúdio


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