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Amai-vos uns aos outros: Basta de Homofobia!


Nem a chuva nem o frio fizeram com que as pessoas deixassem de participar da debutante Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. De acordo com a organização, foram mais de 3,5 milhões de pessoas reunidas na Avenida Paulista e Rua da Consolação.
E motivos para comemorar eram muitos. Primeiro pela histórica e gloriosa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo a união estável dos casais de gays e lésbicas. Depois por estarmos completando 15 anos: a Parada de São Paulo debutou ontem e depois do discurso emocionado e empolgante de Ideraldo Beltrame, presidente da APOGLBT, os casais dançaram valsa e balões com todas as cores do arco-íris foram liberados, deixando o céu da Paulista colorido e alegre. Um reflexo da diversidade sexual que estava exposta pelas pessoas nas ruas da cidade.
Se em alguns anos anteriores a posição política não foi a tônica da manifestação, nesse ano os discursos contra a homofobia e a intolerância marcaram a Parada. Tanto o presidente Ideraldo como o deputado federal carioca Jean Wyllys, a senadora Marta Suplicy, representantes do governo federal e entidades do movimento LGBT fizeram questão de reforçar a importância do momento histórico em que vivemos e como o grito das ruas poderá ser vital para a aprovação da lei que criminalize atos de violência contra gays, lésbicas, transsexuais e travestis.

Além da festa alegre e descontraída da 15ª Parada, inúmeras atividades comemoram o mês do orgulho LGBT. O Abraço Coletivo à Avenida Paulista, na quarta-feira, já dava o tom dos eventos: com alegria as pessoas deram as mãos e durante apenas cinco minutos abraçaram a avenida como um repúdio aos atos de violência ocorridos ali no ano passado. Debates sobre os mais variados temas, sempre com foco nas questões da comunidade, acontecem até o início do próximo mês (programação completa no site da Parada). Ciclos de cinema, palestras literárias, peças teatrais, vernissage são algumas das atividades culturais paralelas que também aconteceram durante as comemorações desse ano.
Tive a chance de participar de palestras e bate-papos sobre literatura GLS. A poeta norte-americana Emily Dickinson e sua paixão pela cunhada Susan Dickinson foi o tema da palestra da professora e tradutora Isa Mara Lando na Casa das Rosas. Emily, que morreu aos 55 anos em 1886, escrevia poemas modernos e até hoje tocam a todos nós.

Tirai-me tudo, mas deixai-me o êxtase

Sua paixão por Susan ficou registrada em mais de mil poemas encontrados depois de sua morte. O ícone da contra-cultura Glauco Matoso deu seu depoimento na segunda parte da noite. Autor de quase 5 mil sonetos, Glauco fez um pequeno relato de sua trajetória. Militante gay e fundador do grupo SOMOS, depois da cegueira Glauco disse que a poesia foi sua boa de salvação:
“Se serve de consolo, seja assim:
Amor nunca se esquece, é que nem prece.
Tomara, pois, que alguém reze por mim…”

No Casarão Brasil, participei ainda do Bate Papo Informal com a Literatura GLS. Lá sete escritores — Fabrício Viana, Kadu Lago, Marli Porto, Irineu Ramos, Anita Prado, Guilherme Junqueira e Paulo Iotti— compartilharam com a platéia suas experiências de publicar seus livros com temática homoafetiva.

Nós, os blogayros, também nos reunimos para um bate papo informal e troca de experiências.
Quero destacar ainda a abertura oficial da Parada, uma solenidade no Teatro Raul Cortez que reuniu autoridades e representantes da sociedade civil. Na mesa, além de Ideraldo Beltrame, o governador Geraldo Alkimin, o prefeito Gilberto Kassab, a senadora Marta Suplicy, o deputado Jean Wyllys, a cantora Preta Gil, representantes do governo federal e de entidades do movimento LGBT, esteve presente Anivaldo Padilha, da Frente de Religiosos Contra a Homofobia. Num discurso sereno, Padilha afirmou que as igrejas estão divididas:
“Algumas lideranças homofóbicas provocam divisões dentro das igrejas e dividem nossos fiéis. Elas não têm o direito de demonizar nenhum segmento da sociedade e colocar o conceito de pecado a toda a sociedade e transformá-lo em lei. Na teologia cristã, o maior pecado é não amar ao próximo”.
Ao final da solenidade, Beltrame fez um discurso empolgante e incisivo.
“Não vamos arredar pé um só minuto em nossa luta. Nem tentem retroceder um só centímetro contra os poucos direitos que conquistamos”, afirmou, para em seguida concluir citando o lema da bandeira paulista ‘Non ducor duco’, para dizer que o movimento vai continuar sua luta, sem concessões, enquanto esses ignorarem a população LGBT: “Não sou conduzido, conduzo!”, concluiu o presidente, ovacionado pela platéia.

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8 Comentários para “Amai-vos uns aos outros: Basta de Homofobia!”

  1. Guilherme Junqueira Says:

    O melhor resumo da semana da parada Maurício, ví agora só….meus parabéns!!!

    responder

  2. Maria Lígia Pagenotto Says:

    Mau, adorei este texto! Super bacana e, pra quem não esteve lá, dá pra ver como a parada foi produtiva..! E tudo o mais que corre no entorno, isso nem sempre sai no jornal, né? Beijos e parabéns pelo trabalho.
    Malipa

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Lígia, querida:
      sem querer fiz algo q vc salientou e é bem legal mesmo
      (não tinha pensado sobre esse ponto de vista, relatei atividades q a imprensa não divulga).
      O tom político voltou para o movimento e isso me motivou tb. Cobri para uma rádio da UFMG, programa
      Do Babado (sobre a cena LGBT de BH). Enviei entrevistas e darei uma entrevista para eles!
      bjs e obrigado pela visita e pelos elogios!

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  3. Wilson Says:

    A Igreja deve se manifestar sim pq tem um artigo 5º,
    VI – “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

    Isso nao feriu à constituição?

    A batalha esta só dando continuidade, lembre-se Deus nunca perde!

    E só ele sabe de verdade como anda a felicidade, mas sua imisericórdia é infinita.

    Pax

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    • Maurício Mellone Says:

      Wilson:
      A misericórdia e a bondade de DEUS são incomensuráveis,
      somos TODOS filhos Dele. Ninguém é órfão, daí a injustiça
      com a exclusão e, principalmente, a discriminação, seja de que natureza for.
      abr

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  4. Frank Says:

    Valeu Maurício.
    Belo trabalho.
    Abraços e sucesso, sempre,

    FR@NK

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