Ame ou se Mande com Jussara Silveira: show de requinte e delicadeza

De em novembro 29, 2011

Capa do CD Ame ou se Mande lançado pela Joia Moderna

Nesse final de semana, paulistanos e cariocas tiveram a chance de conhecer o novo trabalho da cantora baiana (mineira de nascimento, mas sua formação musical se deu na Bahia). Em Ame ou se Mande, lançado pelo selo Joia Moderna, Jussara Silveira se apresentou ao lado de Sacha Amback e Marcelo Costa, num formato piano/voz/percussão. Os shows aconteceram no SESC Bom Retiro/SP e no Teatro Rival Petrobrás/RJ.
Com um repertório escolhido minuciosamente, o CD traz desde canções delicadas e de dores de amor como A Voz do Coração (Celso Fonseca/Ronaldo Bastos) — “quem poderá em vão calar/ a voz do coração?/ se o amor quiser partir/num dia de manhã/sem avisar” —, ou ainda a brejeira Marcianita (versão de Fernando César), até as músicas que contêm a rica influência afro, como Ifá (Cezar Mendes/Capinan) e Doce Esperança (Roberto Mendes/J.Velloso).
Duas regravações, no entanto, me chamaram muito a atenção. Babylon (Zeca Baleiro) e Dê um Rolê (Moraes Moreira/Luiz Galvão) ganharam nova roupagem e Jussara imprime sua personalidade a estas canções, que foram consagradas nas vozes de Zeca Baleiro e Gal Costa, respectivamente.

Não bastasse o trio reproduzir no palco a gravação de estúdio, o show é simples (o que se almeja sempre no produto artístico) e de um requinte extremo. São só os três no palco — a voz de Jussara, o piano e sintetizador de Sacha e a percussão de Marcelo, com uma iluminação singela de Marisa Bentivegna. E nada mais é preciso: o público é envolvido no clima romântico e doce de Ame ou se Mande.
No meio da apresentação, Jussara dá mais um presente aos fãs: interpreta três canções de Angola (Kalunga, Semba e Lemba), num aperitivo do próximo álbum que em breve deve chegar ao mercado. Além da originalidade (pouco conhecemos da cultura angolana), essas músicas comprovam a influência preponderante que o cancioneiro nacional recebeu dos povos africanos.

Wisnik participou dos shows em São Paulo

Outro destaque das apresentações em São Paulo foi a participação especial de Zé Miguel Wisnik (no CD Jussara canta Tenho Dó das Estrelas, poema de Fernando Pessoa musicado por ele). Além dessa, Wisnik cantou com Jussara outras duas de seu repertório e, no bis, voltou e ambos interpretaram Gagá, de Arnaldo Antunes.
Se no início Jussara está contida e interpreta três canções sem qualquer intervalo (a reação do público só aparece a partir daí), do meio para o fim ela fica solta e ganha o palco. Em Doce Esperança, com a ajuda da iluminação azulada, Jussara parece que incorpora uma entidade do candomblé, com uma desenvoltura e postura emocionantes.
Como diz o DJ Zé Pedro no encarte do CD, “Jussara é dona de um repertório inesperado e inteligente e este novo trabalho sintetiza toda a sua história musical”. Para acompanhar a agenda de Jussara Silveira, acesse o site da Circus Produções Culturais:  www.circusproducoes.com

Fotos:Sérgio Guerra

Uba
Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro

2 Comentários

Antonio Carlos Ballalai

janeiro 20, 2012 @ 23:07

Resposta

Acompanho o trabalho dessa cantora maravilhosa já há um bom tempo. Conheço todos os seus cd’s e estou louco pra ouvir esse. Parabéns pelo blog interessante!

Maurício Mellone

janeiro 23, 2012 @ 12:20

Resposta

Antonio Carlos:
O trabalho da Jussara, que divide o palco e o CD com dois músicos da maior competência- piano e contrabaixo-
é maravilhoso mesmo. Não deixe de adquirir, vc (um fã) vai se deliciar com tanto talento e sensibilidade.
abr e obrigado pelos elogios ao Favo; volte sempre!

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