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Amor em 79:05”: última semana da peça dirigida por Elias Andreato


Peça: Amor em 79:05”, foto 1

Josemir Kowalick vive um escritor de meia idade que sentindo-se só expressa todo seu amor pelo amado, um jovem rapaz

Em tempos de amores virtuais, encontros fugazes e relações superficiais, como é gratificante assistir ao espetáculo Amor em 79:05”, em cartaz na Sala Experimental do Teatro Augusta, em que um escritor já maduro não tem qualquer tipo de pudor para declarar seus mais íntimos e profundos sentimentos amorosos ao ser amado, um jovem e belo rapaz. Este é o enredo do monólogo que Elias Andreato roteirizou do livro homônimo de Vinícius Márquez e é interpretado por Josemir Kowalick; o rapaz é vivido por Eduardo Ximenes, que não dialoga com o escritor e sua presença pode ser entendida como a imagem que homem maduro tem do amado. Sentindo-se só, o escritor extravasa todo o seu amor, sem deixar de expressar também suas frustrações, anseios e angústias pela falta física do amante.

“A dor de quem ama é imensa, mas a felicidade do enquanto dure é eterna. Mesmo sendo a solidão o fim de quem ama, preciso me arriscar mais e não importa a idade do meu coração. Quero amar e isto basta. Amar ainda é melhor do que não amar e não ser amado”, desabafa no programa da peça Elias Andreato, que também dirigiu e assina o cenário.

Peça: Amor em 79:05”, foto 2

Josemir contracena com Eduardo Ximenes na trama de Vinícius Márquez

 

 

Por ser pequena e aconchegante, a própria sala de espetáculo propicia a proximidade do espectador tanto com os atores como com a trama tão íntima e sentimental. Instaura-se uma cumplicidade, já que são sentimentos comuns a todos nós:

“Como é importante falarmos de amor, ou da ausência dele, principalmente em tempos atuais, de amores efêmeros, em que tudo se resolve com um ‘enter’. Por amor posso morrer, posso depender física e ou psicologicamente”, argumenta Josemir Kowalick.

O destaque da montagem é tom poético, delicado e sensível de retratar a relação amorosa entre duas pessoas, que podem ser do mesmo sexo ou não. A iluminação de Rodrigo Alves e a trilha de Fábio Sá (com canções compostas pelo músico e pelo diretor) dialogam em sintonia com a proposta cênica. A tocante interpretação de Kowalick é outro destaque do espetáculo. Não perca tempo, as últimas apresentações são nesta semana.

 

 

Fotos: Francisco Júnior

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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