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Anhangaçu, )eclipse(: livros de contos e poesias de novos escritores


Livros: Leandro Carlos Esteves e Guilherme Junqueira, foto 1

Anhangaçu, obra estreia de Leandro Carlos Esteves e )eclipse(, livro de poemas de Guilherme Junqueira

Em final de ano é comum surgirem listas com os destaques dos segmentos culturais. Há ainda a divulgação dos vencedores dos diversos prêmios; e com a literatura não é diferente, além dos inúmeros lançamentos nesta época do ano. Entretanto, com tantas opções (o que é positivo), o público pode ficar um pouco perdido ou confuso com tanta informação.
Pensando nisto, quero aqui ressaltar dois livros de novos escritores, cada um de um gênero literário diferente. Pela Dobradura Editorial, Leandro Carlos Esteves lançou recentemente sua primeira coletânea de contos, Anhangaçu Nada será como antes, com seis histórias que nos remetem à formação da cidade de São Paulo. Já Guilherme Junqueira, mesmo tendo escrito e editado três romances nesta década, acaba de lançar seu primeiro livro de poemas pela Editora Córrego, )eclipse(.

Livros: Leandro Carlos Esteves e Guilherme Junqueira: foto 2

O jornalista Leandro estreia na literatura

Mesmo sendo sua estreia, Leandro vem bem acompanhado: o texto da orelha da obra é assinado pelo escritor carioca Paulo Lins e quem faz a apresentação do autor é a jornalista e autora de telenovelas Duca Rachid.
Como lembra Paulo Lins, os contos de Leandro retratam a face dos povos que habitam São Paulo, o Brasil e parte da América do Sul. No conto inicial e que dá nome ao livro o índio narra a transformação da pacata e rural capital paulista para uma cidade industrial. O negro está presente na obra por meio de três histórias africanas sobre os orixás. E os imigrantes não ficam de fora, com a história do garoto coreano Woo e, no conto Três sonhos, há ainda a onírica caminhada de Fujiô, um camponês do Japão medieval. O autor dá ainda grande destaque à colônia italiana, por meio do conto Rivoluzione, baseado nos relatos de seu avô sobre a frustrada participação de sua família na Revolução Constitucionalista de 1932.

Livros: Leandro Carlos Esteves e Guilherme Junqueira: foto 2

Guilherme com sua nova obra de poesia

Cronista da nigth paulistana
Com seu primeiro livro de poesia )eclipse( Guilherme Junqueira reforça sua marca como escritor, ou seja, a de ser um cronista da cidade de São Paulo, mais especificamente das baladas paulistanas, com um perfil minucioso dos personagens mais marcantes do chamado Baixo Augusta, os notívagos de uma maneira geral — muito bem retratados em Intrigas Augustas .

…“Avenida Paulista/
pradaria de gente/

anoitecendo seio preto da lua/
loba cidade que nos abraça e/
nos devora”…

 

Outra marca do autor — um artista multifacetado, que além da literatura, é roteirista de cinema, ator, diretor teatral e desenhista — é sua vocação para as artes cênicas: seus poemas propiciam que o leitor crie verdadeiros roteiros dramatúrgicos, graças às ricas imagens criadas.

…“Absinto/
Viram uma menina na chuva/
chorando, derretendo/
dentro de um quadro de Rafael/
Havia também meninos/
que ficavam verdes nas esquinas/
e vendiam seus sonhos/
surrealistas em troca/
de qualquer poema pérsico/
ou espelho ametista derretendo/
nas coxas de alguém”…

Duas obras com visões bem distintas da cidade de São Paulo. E o engraçado que os autores são nascidos no interior do Estado (Leandro é de Lins e Guilherme, de Tatuí), mas ambos se firmaram profissionalmente na nossa pauliceia mais do que desvairada.

Livros: Leandro Carlos Esteves e Guilherme Junqueira: foto 4

Livro lançado pela Dobradura Editorial

 

 

Ficha técnica:                                                         
Título: Anhangaçu- nada será como antes
Autor: Leandro Carlos Esteves
Editora: Dobradura Editorial, 120 pgs
Preço: R$ 45
                                                          

Livros: Leandro Carlos Esteves e Guilherme Junqueira: foto 5

Obra da Editora Córrego

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Título: )eclipse(
Autor: Guilherme Junqueira
Editora: Córrego, 12 pgs
Preço: R$ 20

 

 

 

 

 

Fotos: divulgação/ Francisca Valentina

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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