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Axé- o canto do povo de um lugar: documentário retrata música baiana


Filme: Axé o canto do povo de um lugar, foto 1

Daniela Mercury, considerada a rainha do axé, se lançou para o mundo depois do show no vão do MASP, em 1992

Filme: Axé o canto do povo de um lugar, foto 2

Luiz Caldas é um dos precursores do axé

Ao assistir ao documentário de Chico Kertész, Axé- o canto do povo de um lugar, que acaba de ser lançado, impossível não se empolgar com a animação do Carnaval da Bahia e depois não sair da sala de exibição cantarolando vários dos hits do que hoje conhecemos como axé music, um movimento musical nascido na década de 1980 em Salvador e que revela a rica, pulsante e criativa música baiana, que ganhou não só o Brasil todo como o mundo.

O filme traz depoimentos de produtores musicais, músicos e radialistas, além da participação dos principais artistas ligados ao axé, como Luiz Caldas, Daniela Mercury, Saulo Fernandes, Bel Marques, Beto Jamaica e Compadre Washington, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Ivete Sangalo e os precursores da difusão da cultura baiana para o mundo, os consagrados Caetano Veloso e Gilberto Gil. Os arquivos de imagens dos blocos carnavalescos, dos diversos trios elétricos e dos grandes shows dos artistas baianos enriquecem o filme.

A primeira pergunta lançada pelo diretor é sobre a paternidade do axé, o que redunda numa infinidade de respostas das pessoas convidadas a refletir sobre este movimento musical e cultural da Bahia. De forma convencional (depoimentos seguidos de imagens do que acaba de ser relatado), o documentário, sem pretensão, faz um grande painel da produção musical da Bahia das últimas décadas, remontando desde o início com o estouro em todo o país de Luiz Caldas com seu grande sucesso Fricote, passando pela formação dos blocos carnavalescos, dos primeiros trios elétricos e o aparecimento dos artistas e dos trios e bandas que movimentam a cena musical do carnaval baiano, como Banda Eva, Asa de Águia, Cheiro de Amor, Chiclete com Banana, Ara Ketu, Oludum, Timbalada,Terra Samba, É o Tchan. O documentário também mostra o início de carreira e a evolução até hoje de artistas como Carlinhos Brown, Netinho, Margareth Menezes, Saulo Fernandes, Bel Marques, Durval Lélys, Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Daniela Mercury, considerada a rainha do axé — o show dela no vão do MASP que a lançou mundialmente é emocionante.

Filme: Axé o canto do povo, foto 3

Saulo Fernandes, outro expoente do ritmo baiano

Mais do que relatar a criação do axé, o filme também mostra como o movimento se agigantou (trazendo multidões para a Bahia durante o Carnaval), e, como consequência, se descaracterizou. Se por um lado houve a difusão internacional da música produzida na Bahia, o axé perdeu espaço dentro da produção musical brasileira atual. Se os padrões da festa carnavalesca baiana necessitam ser revistos e a união dos artistas da Bahia precisa acontecer são discussões lançadas pelo documentário. O inegável é que o axé music tem seu lugar garantido na história da música e da cultura brasileiras. Como aperitivo, fique com o clipe do show de Ivete Sangalo no Madison Square Garden, em Nova York em 2010:

 

Fotos: divulgação

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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