Peça Azul Resplendor, foto 1

Azul Resplendor: peça peruana marca os 60 anos de carreira de Eva Wilma

De em julho 25, 2013

Peça Azul Resplendor, foto 1

Eva Wilma vive uma veterana atriz que recebe um convite para voltar a atuar

Nada melhor para comemorar 60 anos de carreira artística e 80 de vida do que encenar uma peça inédita no país! É exatamente isto que Eva Wilma está fazendo: a atriz encabeça o elenco de Azul Resplendor — que acaba de estrear no Teatro Renaissance—, peça do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén que retrata com humor ácido e corrosivo os bastidores de uma montagem de teatro.
Este texto foi encontrado pelos diretores Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas, que percorreram a América Latina entre 2008 e 2009 para promover o teatro brasileiro e incentivar o intercâmbio entre as dramaturgias produzidas em espanhol e português. Deste trabalho, eles reuniram 1.200 peças (além de entrevistas gravadas com dramaturgos de 15 países), que pretendem publicar em breve.

“Esta peça do peruano Eduardo Adrianzén é o primeiro passo no sentido de colaborar com a difusão da cena ibero-americana para o público brasileiro”, explica Renato Borghi.

Peça: Azul Resplendor, foto 2

Pedro Paulo Rangel, Eva e Dalton Vigh interpretam o autor, a atriz e o diretor da peça

Eva Wilma em Azul Resplendor está na pele de Blanca Estela, uma atriz que se aposentou precocemente e que recebe um convite inusitado, o de voltar aos palcos exatamente por intermédio de um texto inédito escrito por um de seus maiores fãs, Tito Tápias, interpretado por Pedro Paulo Rangel. Ela reluta muito em aceitar o papel e impõe uma condição: que o diretor seja um profissional de renome. Tápias, um ator frustrado que deixou a carreira para cuidar da mãe até sua morte, concorda e diz que com o dinheiro da herança pode contratar Antônio Balaguer (Dalton Vigh), o diretor de vanguarda mais consagrado do país, que poderá montar uma superprodução. Completam o elenco desta peça, a fiel assistente de Balaguer, Glória Campos (Lucina Borghi) e dois novatos, ela Luciana Castro, vivida por Luciana Brites, atriz de sucesso e preferida do diretor e Giancarlo Veroni (Felipe Guerra), ex-modelo revelado em reality show e com sucesso na TV. De um texto que faria uma homenagem à veterana Blanca Estela, a montagem de Balaguer é uma reconstrução do original, com grandes equívocos e cenas megalomaníacas e surreais.
O dramaturgo peruano utiliza do ambiente teatral para ressaltar, com ironia e humor ácido, o jogo de poder no meio profissional, as ambições, vaidades, traições, frustrações e a dicotomia entre sucesso e fracasso.

 

“Adrianzén transmite com graça e extrema agudeza os conflitos que se desenrolam no competitivo universo dos atores. Em uma época de culto às celebridades, esta peça trata de maneira crítica e bem humorada o ávido interesse que o público tem dedicado à vida privada dos artistas”, diz Borghi.

Peça: Azul Resplendor, foto 3

Elenco do espetáculo do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén

O grande destaque de Azul Resplendor, além de podermos conhecer um autor do país vizinho, fica para a empatia e o entrosamento em cena de dois mestres da interpretação, Vivinha e Pepe, como Eva Wilma e Pedro Paulo Rangel são carinhosamente chamados. A cena final entre os dois personagens, em que as barreiras e as máscaras entre eles já caíram, é tocante. Eva, parabéns pela bela carreira e por sua entrega total à arte de interpretar!

“O teatro para mim é uma coisa sagrada. Ele pertence ao ator.”
Eva Wilma

 

 

Fotos: João Caldas

Uba
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