Peça: Bruta Flor, foto 1

Bruta Flor: texto inédito discute homofobia, intolerância e racismo

De em janeiro 30, 2017

Peça: Bruta Flor, foto 1

Pedro Lemos, Walquiria Ribeiro e Fabio Rhoden vivem personagens envoltos num arriscado triângulo amoroso

Depois de curta temporada no ano passado, está de volta o texto inédito de Vitor de Oliveira e Carlos Fernando de Barros, Bruta Flor, agora no Viga Espaço Cênico. A montagem de Márcio Rosário valoriza o jogo dramático proposto: numa profusão de luzes e num cenário criativo de retalhos de tecido espalhados por todo o palco, os dois jovens amigos aparecem e não sabem dizer onde e por que estão ali. Aos poucos eles retomam a lembrança e o público é conduzido há 12 anos, quando Miguel, interpretado por Pedro Lemos, e Lucas, vivido por Fabio Rhoden, foram a um acampamento escolar. Os dois querem revelar segredos, mas só Lucas consegue falar: diz que vai se casar com a namorada Simone, interpretada por Walquiria Ribeiro. Miguel tenta, em vão, remover esta ideia do amigo, mas não consegue nem dizer o que pretendia; numa brincadeira na barraca os dois transam. Mesmo tendo sido um fato determinante na vida deles, ambos se afastam e só se reencontram anos depois, quando não será mais possível negar o que sentem um pelo outro.

Peça: Bruta Flor, foto 2

Pedro e Fabio interpretam os amigos que têm suas vidas ligadas para sempre

Miguel foi estudar em Londres/Inglaterra, onde se formou e foi contratado por uma empresa multinacional; depois de anos, ele está de volta para assumir a gerência da filial brasileira da empresa. Um dia, dentro do vagão do Metrô Miguel e Lucas se reencontram e retomam o contato. Lucas, que nunca gostou de estudar, é vigia de uma empresa e está ansioso pela chegada do primeiro filho. A partir daí, a trama se divide entre os encontros amorosos entre os dois rapazes e a difícil relação entre Lucas e Simone. No entanto, uma coisa une estes dois mundos: o gênio revoltado de Lucas, que tanto com o amigo como com a esposa se mostra um homem machista, homofóbico, racista e extremamente intolerante. Claro que este tipo de atitude diante da vida só traz atritos, desavenças, violência e geralmente em desfecho trágico. No triângulo amoroso entre Miguel, Lucas e Simone este modelo é seguido à risca.
Sem dúvida o que mais me chamou a atenção no espetáculo é o jogo dramático entre os casais e as diferentes etapas em que a trama se desenvolve: o espectador é envolvido na história e obrigado a montar o quebra cabeça para entender a proposta dos autores. Outros destaques ficam para a iluminação, assinada por Guilherme Orro e pelo diretor, e a ambientação cênica de Reinaldo Patrício e Maureen Miranda, pois são os vetores usados pela direção para conduzir a trama. Walquiria Ribeiro e Pedro Lemos dão o tom exato para seus personagens, que se contrapõem ao destemperado e irracional papel defendido por Fabio Rhoden.

Peça: Bruta Flor, foto 3

Peça dirigida por Márcio Rosário

 

 

 

 

Aqui abro um parênteses para apontar a qualidade e diversidade da programação do Viga Espaço Cênico, que já neste primeiro mês do ano abriu seus palcos para excelentes produções, em horários diversos. E todos saem ganhando: o público que tem opção de escolha, as companhias que podem trocar experiências, o teatro que mantém vivo seu espaço e a cidade que conta com mais um centro cultural de excelência.

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Ronaldo Gutierrez


2 Comentários

Fábio Mráz

janeiro 31, 2017 @ 15:27

Resposta

Gostei muito também!

Maurício Mellone

fevereiro 1, 2017 @ 10:21

Resposta

Fábio, querido,
q bom q concordamos! rsrsrs
O ato de enunciar homofobia, racismo e intolerância
é sempre muito bem-vindo!
E em forma de arte, melhor ainda!
bjs e obrigado por sua presença constante aqui no Favo

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