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CAIS, da Velha Cia: histórias bem contadas dos moradores da Ilha Grande


Peça CAIS da Velha Companhia, foto 1

Com texto e direção de Kiko Marques, CAIS ou da Indiferença das Embarcações é encenada por 12 atores e 2 músicos

Encenada no espaço subterrâneo do Instituto Capobianco- Teatro da Memória, a peça CAIS ou da Indiferença das Embarcações reproduz com fidelidade o cais da Ilha Grande, palco escolhido pelo ator Kiko Marques para sintetizar as histórias de vida dos moradores da ilha. Muito bem articuladas, as tramas são contadas por intermédio do velho barco, o Sargento Evilázio, interpretado pelo veterano ator Walter Portela, que funciona como uma espécie de testemunha ocular da história e da memória locais.
A trama apresentada de maneira não cronológica — o dia 31 de dezembro é o elo comum de todas as histórias — divide-se em dois atos, cada um deles com dois quadros. Estes quadros contam a trajetória de três gerações: Waldeci (Kiko Marques), seu filho Walcimar (Marcelo Laham) e seu neto Walciano (Marco Aurélio Campos). Entre a vida desta família, outras histórias se entrelaçam, criando um grande painel documental daquele lugarejo.
Kiko Marques, que também assina a direção do espetáculo, confessa que frequenta a Ilha Grande desde sua infância, onde passava suas férias escolares. Desta forma, acompanhou não só as transformações do lugar como foi colecionando histórias dos moradores:

 

“É curioso conhecer um lugar visitando-o sempre na mesma época. Propus-me não só a juntar os fragmentos de memória desses anos, como conhecer a história local: descobri um lugar de uma riqueza cultural e histórica muito especiais. Nenhuma das histórias da peça é totalmente real, mas também nenhuma é totalmente fictícia. Todas contêm, com alguma fidelidade, a trajetória histórica do lugar e se compõem de coisas que aconteceram realmente, ouvidas ou vividas por mim, mas costuradas segundo as necessidades da trama”, diz o ator.

 

Todo o barco possui uma poita, um tipo de âncora, que é amarrada a uma boia. Com o Barco Evilázio não é diferente: ele conta com a Poita Rosimeri (Rose de Oliveira), que o auxilia na narrativa; ela a cada quadro contado escreve numa lousa os nomes dos personagens, o que facilita na compreensão do enredo.

Peça CAIS da Velha Companhia, foto 2

Alejandra Sampaio e Marcelo Laham interpretam o casal Berenice e Walcimar

O que mais me chamou a atenção em CAIS ou da Indiferença das Embarcações foi a perfeita sintonia entre o elenco e a entrega total de todos os atores à composição de seus personagens. A união e a energia vibrante da equipe transparecem no excelente resultado apresentado no palco. Difícil ressaltar o trabalho de algum dos 12 atores, mas Walter Portela emociona como o narrador, além da visceral interpretação de Kiko Marques, Alejandra Sampaio, Marcelo Laham e Maurício de Barros.

Peça CAIS da Velha Companhia, foto 3

Elenco agradece aos calorosos aplausos da plateia, que sente-se cúmplice da trama encenada

Um dos grandes espetáculos em cartaz na cidade. No entanto, o público precisa ficar atento: a peça é encenada somente às segundas e terças e são apenas 30 lugares na plateia.

Fotos: Ligia Jardim

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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4 Comentários para “CAIS, da Velha Cia: histórias bem contadas dos moradores da Ilha Grande”

  1. Ed Paiva Says:

    Mergulhei fascinado nas histórias passadas nesse Cais. Desejos, frustrações, vinganças e amor no cenário de encontros e despedidas. E o barco, Sargento Evilázio, interpretado com doçura e orgulho por Walter Portella, é a síntese de nossos sonhos. Um espetáculo apaixonante, comovente. Uma epopeia repleta de poesia e encantamento. Mergulhei e lavei minha alma. A Velha Companhia sabe como contar histórias e deixar-nos com vontade de pedir “conta de novo!”. A quem puder, não deixe de embarcar nas emoções desse Cais.
    A sua dica, Maurício, é fundamental: ligar antes para reservar ingressos. São poucos lugares, mas a experiência é a de se sentir abraçado pelo espaço, pela história e pelos atores.

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    • Maurício Mellone Says:

      Ed:
      Já tinha sido avisado por atores/amigos sobre a beleza de CAIS,
      mas com o seu empenho e entusiasmo para q eu fosse conferir o trabalho da Velha Companhia
      não poderia deixar de ir. E em nenhum momento me arrependi, pelo contrário.
      Agradeço muito a vc pela insistência em que fôssemos juntos assistir ao espetáculo,
      um dos mais emocionantes em cartaz na cidade.
      bjs e já aceito novas e certeiras indicações!
      Muito obrigado pela força e incentivo aqui no Favo!

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  2. Fábio Says:

    Poesia pura em forma de teatro. Dificil não se emocionar. Sem dúvida nenhuma é um dos grandes espetáculos em cartaz na cidade… e eu diria além, um dos grandes espetáculos em cartaz na cidade nos últimos tempos.
    =)

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