Camille e Rodin marca a reabertura do Auditório MASP

De em junho 27, 2012

Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore na pele dos esculutres Auguste Rodin e Camille Claudel

A escolha da peça não poderia ter sido mais acertada: para reabertura do Auditório MASP, nada melhor do que um espetáculo sobre a vida e obra de dois dos maiores escultores de todos os tempos, Auguste Rodin e Camille Claudel. Com texto inédito de Franz Keppler e direção de Elias Andreato, Camille e Rodin retrata o encontro do já maduro Rodin, interpretado por Leopoldo Pacheco, com a jovem Camille, vivida por Melissa Vettore.
Eles se conheceram quando Rodin acabara de receber a encomenda para fazer a escultura A Porta do Inferno: Camille que chegara a Paris há pouco procura o mestre a conselho de seu professor. Ambos não imaginariam que aquele encontro fosse modificar radicalmente suas vidas.

Segundo o autor Franz Keppler (que dividiu a pesquisa com Melissa Vettore), o encontro entre os dois artistas foi “decisivo e transformador”, tanto que impulsionou o trabalho criativo dos dois e o amor entre eles é transbordado para as obras. Ao se relacionar afetivamente com o mestre, Camille deixa de ser somente discípula para se tornar uma escultora de muito talento. Já Rodin, mesmo casado com sua ex-modelo Rose Beuret e consagrado profissionalmente, fica loucamente apaixonado por Camille e leva para sua arte tudo o que vivia afetivamente. Os críticos chegam a dizer que é difícil distinguir qual obra é a do mestre e qual a da discípula, graças à proximidade tanto física como estética e espiritual entre ambos.
A narrativa do espetáculo não se atém à ordem cronológica na vida dos dois artistas: ora as cenas mostram o início do relacionamento entre eles, ora ambos estão mais velhos e contam suas impressões de tudo o que viveram.

A estrutura narrativa que optei foi a de mostrar Rodin e Camille já velhos e separados, em tempos e espaços diferentes, tecendo suas histórias através da memória, lembranças que se cruzam de modo não linear e que revelam detalhes de suas vidas, de suas obras, de seus embates, ambiguidades e angústias, traçando paralelamente um panorama artístico e social do final do século XIX e início do XX”, diz Keppler.

 

O diretor também utilizou a iluminação (assinada por Wagner Freire) e o som (música original de Jonatan Harold) para conduzir a história: os atores se locomovem pelo cenário (assinado por Marco Lima) e os tempos de suas vidas se alteram. O que me chamou muito a atenção na montagem foi a delicadeza com que as cenas românticas entre Camille e Rodin são retratadas: os gestos, abraços e beijos são construídos de maneira lenta, reproduzindo desta forma as esculturas que ambos produziram.

O romance entre Camille e Rodin, que tinham 25 anos de diferença de idade, durou 15 anos, entre brigas e reconciliações

Outro destaque de Camille e Rodin é a opção do autor em não tomar partido na história dos biografados: o julgamento sobre a relação afetiva entre Camille e Rodin e seus desdobramentos fica para o público. E, por último, quero ressaltar a interpretação dos atores: Melissa soube com rigor compor sua Camille com todas as suas facetas, desde a jovem idealista e visionária à escultora criativa e a mulher apaixonada e, ao mesmo tempo, revoltada e derrotista. Já Leopoldo mostra o grande escultor também com perfil multifacetado: do artista pragmático e cônscio de seu papel social ao amante entregue às emoções. Os dois atores revelam, numa curva ascendente de emoção, todas as entranhas dos personagens, o que deixa o público extasiado.

Fotos: Alexandre Catan

 


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