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Cia da Revista encena musical de Chico Buarque: Ópera do Malandro


Peça: Ópera do Malandro, foto 1

Parte do elenco: Kleber Montanheiro (Geni), Mateus Monteiro (Phillip), Paulo Vasconcelos (Johnny), Gabriel Hernandes (General), Flávio Tolezani (Max), Pedro Henrique Carneiro (Barrabás) e Pedro Bacellar (Big Ben)

Mais do que merecido! No ano em que o escritor, compositor, cantor e dramaturgo Chico Buarque completa 70 anos de vida, as homenagens a ele pululam. Só em São Paulo estão em cartaz três espetáculos: Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos, da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, que conta a trajetória de uma trupe teatral por meio das músicas do aniversariante, O Grande Circo Místico, musical de Chico e Edu Lobo dirigido por João Fonseca e a versão da Cia da Revista para o clássico musical de Chico, Ópera do Malandro, que acaba de estrear no CCBB-SP, em curtíssima temporada, só até o final de agosto.
A montagem do grupo paulistano Cia da Revista, que tem 17 anos de existência, é a primeira parte de um projeto maior em homenagem ao artista:

“Fez-se necessário para a Cia da Revista o encontro com esse artista que como ninguém soube revistar o Brasil por meio de suas composições, que retratam diversos períodos da nossa história”, diz o diretor do espetáculo e da Cia, Kleber Montanheiro, que adianta que a segunda parte do Projeto Chico 70 se completa com a estreia de Reconstrução, peça autoral do grupo com personagens das canções de Chico.

Peça: Ópera do Malandro, foto 2

As meninas do bordel com Max: Luzia Torres (Shirley), Alessandra Vertamatti (Dorinha), Daniela Flor (Dóris), Gabriela Segato (Mimi), Bruna Longo (Fichinha) e Nina Hotimsky (Jussara)

A versão do grupo para Ópera do Malandro é uma leitura contemporânea do musical. Para o diretor, está mais focada na obra do autor:

“O poder do capital, a luta de classes e as relações cordiais entre as personagens também são marcas da montagem. A peça poderia acontecer tanto nos anos de 1940, como ambientado no texto original, como na década de 1970, quando foi montado pela primeira vez, ou ainda nos dias atuais”, diz o diretor, que assina cenário e figurino.

Numa superprodução que envolve 18 atores e três músicos em cena (todos de figurino preto), a trama gira em torno da família do cafetão Duran (Gerson Steves), sua mulher Vitória (Heloísa Maria) e da filha Terezinha (Erica Montanheiro), que se casa com o malandro e contrabandista Max Overseas, vivido por Flávio Tolezani. Duran não aceita o envolvimento da filha com o trambiqueiro, que é amigo de infância do chefe de polícia Chaves, o Tigrão (Adriano Merlini), que por sua vez acoberta os negócios escusos do cafetão.  Quem perambula entre todos estes personagens é a travesti Geni, numa interpretação de Kleber, que a criou de forma bandida e andrógina.
Prostituição, contrabando, corrupção, romance e traição são elementos que complementam a trama criada por Chico, inspirada na peça Ópera dos Três Vinténs, escrita por Bertolt Brecht em 1928, que também buscou inspiração na Ópera dos Mendigos, de John Gay de 1728.

Peça: Ópera do Malandro, foto 3

Max ao lado das duas “esposas”, Lúcia vivida por Natália Quadros e Terezinha interpretada por Erica Montanheiro

 

O destaque da montagem é sem dúvida para a interpretação de 16 canções, dentre elas os sucessos como O Meu Amor, Pedaço de Mim, Geni e Zepelim , e claro, O Malandro, versão de Chico para a música de Kurt Weill e Brecht.
Outro destaque é para o cenário, que se divide em três, o bordel, o esconderijo de Max e a cadeia: em todos eles os objetos são criativamente constituídos de ripas de madeira entrelaçadas. O palco do CCBB, por ser pequeno, não permite que a montagem de Ópera do Malandro ganhe a dimensão imaginada pelo diretor. O espetáculo está contido e, em alguns números musicais, o elenco fica espremido entre o cenário e as limitações do palco. Na nova sede da Cia da Revista, a ser inaugurada em setembro, o musical pode crescer, estar mais estruturado, além de maior entrosamento do talentoso elenco com este musical grandioso do mestre Chico Buarque.
Fotos: Bob Sousa

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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