Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 1

Claudia Andujar – A luta Yanomami: uma retrospectiva da fotógrafa

De em janeiro 7, 2019

Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 1

Maloca próxima à missão católica no rio Catrimani/1976

Com curadoria de Thyago Nogueira, o Instituto Moreira Salles (IMS-SP) apresenta até abril a exposição Claudia Andujar – A luta Yanomami, uma retrospectiva da carreira da fotógrafa e ativista suíça, radicada no Brasil desde 1955.

Com mais de 300 imagens, a mostra está dividida em duas partes: na primeira as fotografias de Andujar retratam o cotidiano e o universo mítico dos Yanomami, que se espalham entre os estados do Amazonas e de Roraima. Já a segunda parte é dedicada ao trabalho de ativismo da fotógrafa, que viveu de perto o avanço da civilização branca às terras indígenas, que provocou um rastro de doenças, epidemias, poluição, desmatamento e conflitos. As fotos de Claudia Andujar passaram a ser um instrumento de denúncia para frear o genocídio deste povo indígena do Brasil.

 

Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 2

Retrato de uma criança Yanomami

“Fotografar é o processo de descobrir o outro e, através do outro, a si mesmo.” Claudia Andujar

 

Ao entrar na Galeria 3 em que está a primeira parte da mostra, o visitante dá de cara com um grande painel de 40 retratos: usando luz natural, Andujar registrou crianças, jovens, adultos e idosos, que emergem de um fundo negro e mostram suas fisionomias, detalhes dos corpos e, principalmente, seus olhares.

 

 

 

Mostra: Claudia Andujar a luta Yanomami, foto 3

O xamã e tuxaua João assopra o alucinógeno yãkoana – Catrimani/1974

 

As fotos, a partir deste painel, estão dispostas em todo o espaço, penduradas no teto. São registros do cotidiano dos Yanomami — na pesca e na caça, as brincadeiras das crianças e cenas de núcleos familiares — e dos rituais e do universo mítico deles, com destaque para o ritual de iniciação dos pajés em que eles usam yãkoana, um alucinógeno, e o ritual dos mortos, em que o corpo é embalado em cesto e suspenso na floresta até se decompor; depois os ossos são triturados e usados em outra festa ritualística.

 

 

 

 

Mostra: Claudia Andujar - a luta Yanomami, foto 4

Desenhos dos Yanomami que representam o mundo para eles

Há ainda na galeria um espaço dos desenhos dos Yanomami: Claudia e o missionário Carlo Zacquini ofereceram papel e caneta aos índios, que fizeram desenhos que representam o mundo para eles. Destaque ainda para os livros da fotógrafa e a edição especial da revista Realidade sobre a Amazônia, com a expedição de Claudia ao território Yanomami.

 

 

 

Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 5

Opikki thëri durante a construção da rodovia Perimetral Norte/1981

 

O visitante ao descer um andar e chegar à segunda parte da mostra sente a mudança de tom: os registros de Andujar passam a ser de denúncia contra abusos cometidos pela civilização branca. São fotos da década de 1970, do início da construção da rodovia Perimetral Norte e da descoberta de minérios na região habitada pelos Yanomami: o resultado é um acúmulo de doenças, epidemias, poluição, desmatamento e o consequente massacre aos povos da floresta. Claudia foi impedida de voltar à região e passou a denunciar ao mundo a real situação dos Yanomami; foram 13 anos de luta até a demarcação das terras indígenas.

 

 

“Entre a arte e o ativismo, a câmera e a sobrevivência de seus amigos Yanomami, Claudia Andujar mudou a história da fotografia e do país ao manter seu compromisso ético com a vida”, afirma o curador da mostra Thyago Nogueira.

 

 

Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 6

Retratos numerados para fichas médicas

Outro destaque da exposição é a sequência de fotos do período de 1980 a 1985, em que a fotógrafa atuou ao lado de médicos para sanar as doenças das tribos. Como os Yanomami não possuíam nome fixo, Claudia fez retratos numerados de seus amigos para identificá-los nas fichas médicas; estas fotos ficaram associadas às imagens das pessoas marcadas no Holocausto — para fugir do nazismo por serem judias, em 1944 Claudia e a mãe deixaram a Europa; foram aos EUA e depois se estabeleceram no Brasil.

No final da mostra há uma cronologia com o resumo da vida e obra da fotógrafa e, por último, a instalação Genocídio do Yanomami- morte do Brasil, vídeo de 24 minutos com fotos de Claudia e trilha sonora de Marlui Miranda.

Em tempos nebulosos, com governantes conservadores e com ideias retrógradas, a exposição ganha ainda mais importância. Além de exaltar a luta dos Yanomami, a denúncia de Claudia Andujar é mais do que atual, serve como um alerta para que não haja retrocesso diante da demarcação das terras indígenas e na luta pela sobrevivência dos povos das florestas!
Acompanhe o site do IMS: até o final da mostra estão previstos seminários, debates e visitas monitoradas. Participe.

Mostra: Claudia Andujar_- a luta Yanomami, foto 7

Roteiro:
Claudia Andujar: A luta Yanomami
– retrospectiva da obra da fotógrafa dedicada aos Yanomami, com mais de 300 imagens. IMS Paulista, Av. Paulista, 2424, tel. 11 2842-9120 Curadoria: Thyago Nogueira. Horários: de terça a domingo das 10h às 20h (quinta das 10h às 22h). Ingresso: gratuito. Temporada: até 07 de abril.

Uba
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2 Comentários

Dinah

janeiro 8, 2019 @ 18:28

Resposta

Maurício,
Deve ser maravilhosa a exposição, não vou perder por nada!
Também tenho vontade de conhecer o pavilhão dedicado a Claudia Andujar no Inhotim…

beijo

Maurício Mellone

janeiro 9, 2019 @ 12:04

Resposta

Dinah, querida:
vc vai curtir a mostra, que ganha importância maior
com as novas-retrógradas medidas do novo-conservador
governo federal!
E em Inhotim, o pavilhão dedicado à fotógrafa deve
ser maravilhoso!
Bjs e obrigado por sua presença constante por aqui!

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