Confissões ao Mar e o evangelho segundo a carne: duas boas leituras

De em abril 14, 2011

Obra de Guilherme Junqueira

Obras literárias voltadas ao público LGBT ou que retratam histórias em que os protagonistas são gays ou lésbicas infelizmente ainda são lançadas de tempos em tempos, não com a regularidade que gostaríamos. Na última segunda-feira tive a grata satisfação de participar do lançamento da Giostri Editora o evangelho segundo a carne, de Guilherme Junqueira, o segundo romance desse paulista de Tatuí, que no ano passado fez sua estreia com Suicida Rock’n roll. Ainda não tive tempo de ler, mas minha curiosidade é imensa, a começar pelo título provocativo. Segundo o editor, é uma obra que traz reflexões sobre valores na natureza humana, do cotidiano, com perdas e tropeços da vida, sempre com humor e perspicácia. Volto a comentar o livro assim que chegar à ultima página, e será breve!
Na mesma noite de autógrafos e de festa, pude conhecer pessoalmente outro autor da nova geração, o maranhense Kadu Lago. Ao longo da conversa, comentamos sobre o falar ludovicense, ou seja, a fala dos moradores da capital do seu Estado, São Luís. Adoro a maneira natural e espontânea como as pessoas de lá empregam a segunda pessoa, conjugando os verbos corretamente (“tu estás passando bem?” ou ainda “Leve quando quiseres”). Qual não foi minha surpresa ao saber, por Kadu, que hoje em dia a galera mais nova está perdendo essa marca do linguajar do Maranhão! Uma pena, pois é uma delícia ouvir os esses ditos de forma tão natural!
Ao me despedir, perguntei o nome dele completo e aí me veio na cabeça: já conheço esse nome! Logo que cheguei em casa confirmei minha suspeita: havia lido Confissões ao Mar 10 anos, a primeira edição, pela EJLL, que está esgotada; por isso Kadu acaba de relançar a obra, agora pela sua editora, Copacabana Books.

Romance comovente do maranhense Kadu Lago

Não resisti e devorei o livro outra vez! Aos poucos fui me lembrando da trama, mas a linguagem ágil e envolvente me enredou. A história de Matheus, um rapaz que entra para a faculdade de agronomia, sonho do pai, um fazendeiro de gado do Maranhão, e que ao ficar órfão tranca a matrícula e assume os negócios da família é comovente. Para se divertir, o rapaz vai a Belém visitar um primo e conhece o modelo Alejandro, um colombiano que vive e trabalha na capital paraense. Esse encontro é avassalador para a vida de ambos. Matheus, que até então tinha namorada e respeitava os valores de sua família evangélica, entra em conflito. Não sabe lidar com o novo sentimento que aflora, mas não consegue negar seu amor pelo colombiano. Os encontros e desencontros e a discussão que essa relação amorosa provoca prende a atenção do leitor da primeira à ultima linha. Além da profunda emoção: mesmo conhecendo o enredo, as lágrimas rolaram em diversas vezes. Novamente me identifiquei com o drama relatado por Kadu, principalmente numa das últimas confissões do personagem:
—“Que o nosso amor dure para sempre e que nem mesmo as diferenças dos mundos que agora nos separam consigam apagar nossa história”.
Kadu, muito sucesso com o relançamento da sua obra e que possamos em breve termos outras histórias tão comoventes como Confissões ao Mar.


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