Peça: Constelações, foto 1

Constelações: peça trata de todas as possibilidades da relação amorosa

De em fevereiro 14, 2017

Peça: Constelações, foto 1

Marília Gabriela e Sergio Mastropasqua protagonizam peça do britânico Nick Payne

Com um texto que requer atenção máxima por trazer conceitos da física quântica e das realidades paralelas, o britânico Nick Payne com a peça Constelações, que acaba de estrear no SESC Santana, procura desvendar os mistérios da vida e da morte por meio da relação amorosa entre um homem e uma mulher.
Dirigidos por Ulysses Cruz, Marília Gabriela vive a cosmóloga Marianne e Sergio Mastropasqua e Caco Ciocler (atuam alternadamente nas sessões) dão vida ao apicultor Roland. A vida do casal é apresentada de maneira aleatória e cada cena é repetida várias vezes, sempre com um tom e uma intenção diferenciados. Como num grande quebra cabeças, o espectador vai montando as peças da relação amorosa do casal, da cantada inicial, ao namoro, casamento, separação e morte iminente de um deles. O jogo dramático envolve e prende a atenção do espectador, da primeira à última cena.

Peça: Constelações, foto 2

Atriz vive a cosmóloga Marianne

Sem qualquer elemento cênico, a ação transcorre numa plataforma espelhada e suspensa do chão a menos de um metro por quatro cordas. Roland está só; passados alguns minutos há um black out e com a volta da luz  Marianne já está em cena e os dois iniciam o embate amoroso. No início, o espectador pode ficar sem entender o jogo entre os personagens, que repetem as cenas, mas aos poucos as pessoas percebem mudanças sutis e a evolução daquela relação. Para marcar as mudanças das cenas, o diretor utiliza de recursos de luz, som e marcação dos atores.

“Nick Payne conduz suas indagações pelos universos paralelos com enorme senso de humor e calor humano. É na atração que Marianne e Roland sentem um pelo outro que a peça se detém. Na vontade sobre-humana de conseguirem se comunicar. A ironia é que seus universos também são paralelos e linhas paralelas jamais se encontram”, explica Ulysses Cruz.

 

Mesmo com os conceitos de universos paralelos e física quântica, a trama envolve o espectador graças à emocionante história de amor entre Marianne e Roland — a questão da morte, a possibilidade de universos paralelos e uma provável comunicação entre estes universos abre a cabeça do espectador. Confesso que fiquei emocionado com o desfecho da história.

Peça: Constelações, foto 3

Marília contracena alternadamente com Caco Ciocler e Sergio

 

Além do texto provocador, a montagem é extremamente clean, voltada ao desempenho dos atores. Destaque para o criativo cenário de Veronica Valle e Mateus Viana, a iluminação de Domingos Quintiliano e trilha de Miguel Briamonte que pontuam a trama. No entanto a performance cativante de Marília Gabriela é o grande destaque: a atriz, com modulações sutis, retrata as diversas nuances de Marianne. A sessão a que assisti foi com Sergio Mastropasqua, que também dá perfeita sustentação ao cético apicultor.
Espetáculo provocador e com questões extremamente pertinentes das relações humanas contemporâneas. Não deixe de assistir!

 

 

Roteiro:
Constelações
. Texto: Nick Payne. Tradução: Marcos Daud. Direção: Ulysses Cruz. Diretor assistente e de movimento: Leonardo Bertholini. Elenco: Marília Gabriela, Caco Ciocler e Sergio Mastropasqua. Cenografia: Verônica Valle. Figurino e visagismo: Theodoro Cochrane. Iluminação: Domingos Quintiliano. Musica original: Miguel Briamonte. Preparação vocal: Renata Ferrari. Fotografia: Fotos estúdio Miro. Produção executiva: Katia Placiano. Produção: Selma Morente e Célia Forte. Realização Sesc SP.
Serviço:
SESC Santana (280 lugares), Av. Luiz Dumont Vilares, 579, tel. 11 2971-8700. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 40, R$20 (estudante, servidor escola pública, + 60 anos), R$ 12 (trabalhador comércio e serviços). Duração: 70 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 19 de março.

 

Fotosestúdio Miro


4 Comentários

Vera Maria

fevereiro 20, 2017 @ 00:26

Resposta

Gostei de ter lido sua crítica. Pretendo ir a São Paulo e ver a peça. Sua resenha me deu mais vontade ainda de assistir porque admiro muito o trabalho de Marília, bem como a mulher especial e inteligente que ela é. Merci!
Vera

Maurício Mellone

fevereiro 20, 2017 @ 14:22

Resposta

Vera,
que delícia receber sua mensagem, tão elogiosa e incentivadora!
Venha mesmo assistir ‘Constelações’: depois do SESC Santana, o espetáculo
cumprirá temporada no Tucarena.
Bjs

Ulysses Cruz

fevereiro 14, 2017 @ 15:56

Resposta

Q bom ler vc e sua percepção do nosso trabalho , realmente as questões q a peça propõe são absolutamente contemporâneas e a meu ver muito instigantes . Tomara q o publico tenha oportunidade de ler esse seu texto antes de ir ver CONSTELAÇÕES .

Maurício Mellone

fevereiro 15, 2017 @ 11:36

Resposta

Ulysses,
que honra receber seu retorno.
Fico muito feliz q vc tenha não só gostado da resenha como
espera q o público leia antes o que escrevi sobre a peça
antes de assisti-la.
Novamente meus parabéns pela montagem e pelo lindo trabalho.
abrs

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