Peça: Contrações, foto 1

Contrações: peça premiada sobre relações de trabalho volta a São Paulo

De em abril 26, 2016

Peça: Contrações, foto 1

Débora Falabella e Yara de Novaes interpretam a funcionária e a gerente de uma grande empresa

Criadoras do Grupo 3 de Teatro (ao lado de Gabriel Paiva), as mineiras Débora Falabella e Yara de Novaes estão de volta à cidade onde estrearam a peça Contrações do dramaturgo britânico Mike Bartlett em 2013, na sala do CCBB. Desta vez elas estão no Teatro Shopping Frei Caneca, uma sala muito maior, depois de terem se apresentado por Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro e recebido vários prêmios (incluindo os inéditos de atriz para ambas, tanto da APCA como do portal Aplauso Brasil).
Com direção da também mineira Grace Passô, tudo se passa num único cenário (assinado por André Cortez), um escritório de uma grande empresa, onde a gerente, vivida por Yara, interpela a colaboradora Emma, interpretada por Débora, sobre as relações emocionais e sexuais entre os funcionários, o que é proibido. De uma cena comum e realista, a trama evolui para situações surreais e de extrema opressão.

Peça: Contrações, foto 2

Emma (Débora) é manipulada e oprimida pela gerente (Yara)

A cena inicial repleta de gentilezas e afagos é o mote de toda a trama. A gerente (ninguém sabe nem seu nome) solicita que Emma leia uma cláusula de seu contrato de trabalho, justamente aquela em que explicita a proibição de relacionamentos afetivos entre os funcionários. Depois de pedir que a funcionária leia em voz alta, a gerente pergunta como ela se relaciona com os demais funcionários e se há algo entre ela e outro companheiro de trabalho. Emma nega qualquer envolvimento e ao sair é interpelada novamente e tudo se repete sucessivamente. A única diferença entre uma cena e outra é que o grau de irracionalidade aumenta e o poder de invasão à privacidade se intensifica. Para garantir o emprego, Emma cede a todos os caprichos da chefia e se transforma completamente, tornando-se joguete da gerente. O que está por traz da relação harmoniosa e de boa educação entre elas é uma situação de opressão máxima.

 

“O texto de Mike Bartlett é preciso, objetivo e comunica de imediato com o espectador. A peça foi construída na presença do público, que influenciou diretamente a concepção do espetáculo”, explica Gabriel Paiva, diretor artístico da companhia.

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Grace Passô dirige a peça

 

Além do texto de uma crítica corrosiva às relações de trabalho nas grandes corporações e uma direção que dá ênfase à interpretação (Grace Passô também é uma atriz premiada), Contrações se destaca pela sincronia perfeita entre trilha sonora (de Morris Picciotto) e atuação impecável de Débora e Yara. Para quem não assistiu ainda, uma boa notícia: a temporada se estende até final de junho. Não perca!

 

 

 

Fotos: Vitor Zorzal

http://virginiagaia.com.br/

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