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Coragem! As muitas vidas do cardeal Paulo Evaristo Arns: documentário

De em dezembro 20, 2017

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Filme de Ricardo Carvalho homenageia Dom Paulo Evaristo Arns um ano após sua morte

Há exatamente um ano falecia Dom Paulo Evaristo Arns, o arcebispo emérito de São Paulo, e o jornalista e escritor Ricardo Carvalho, que já havia escrito uma biografia sobre o religioso, acaba de lançar o documentário que remonta a trajetória de vida do catarinense de Forquilhinha que adotou a capital paulista como sua terra. Com locução do ator Paulo Betti, o filme Coragem! As muitas vidas do cardeal Paulo Evaristo Arns começa com a voz de Maria Bethania entoando a Oração de São Francisco e imagens de Dom Paulo. Nada mais simbólico para representar a vida de um frade franciscano que dedicou sua vida em prol do outro, dos mais necessitados, injustiçados e perseguidos. O documentário traz depoimentos de familiares, que lembram momentos da infância e adolescência de Paulo Evaristo, de discípulos como o teólogo Leonardo Boff como também jornalistas e políticos que testemunham a importância do cardeal na luta pela democracia e pelos direitos humanos.

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Religioso dedicou sua vida em prol do outro

Num momento em que o Brasil vive uma das maiores crises de sua história — do ponto de vista econômico, político e principalmente moral —, como faz falta a presença de um homem da grandeza humana de Dom Paulo, que além de sua luta incessante pela democracia e pelos direitos humanos, era uma pessoa que prezava acima de tudo pelo diálogo e o entendimento entre as pessoas. Escrito e dirigido por Ricardo Carvalho, o documentário procura didaticamente retratar as várias vidas de Dom Paulo. Sem grandes arroubos estilísticos, o filme é dividido em partes que retratam a trajetória do religioso, como o Cardeal dos pobres, Cardeal dos operários, Cardeal dos perseguidos e Cardeal dos direitos humanos. Desta forma, o diretor relata desde o primeiro ministério de Paulo Evaristo em Petrópolis/RJ, a ordenação dele como bispo em 1966, já na capital paulista, em seguida a sua convocação pelo Papa Paulo VI para ser arcebispo de São Paulo em 1970 e suas primeiras atitudes em prol dos necessitados quando vende o Palácio Episcopal e compra 1200 terrenos na periferia para construção de centros comunitários. Era o nascimento das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que tanto contribuíram para a conscientização da população carente.

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Dom Paulo liderou ato ecumênico denunciando o homicídio de Vladimir Herzog

Um marco na trajetória de Dom Paulo é bem retratado no filme: sua atuação política contra a ditadura militar. O Cardeal enfrentou os presidentes generais, tanto que liderou em 1975 o ato ecumênico na Catedral da Sé quando da morte do jornalista Vladimir Herzog, brutalmente assassinado nas dependências do DOI-CODI. Dom Paulo, por meio de um salmo, denunciou o homicídio, maldizendo aqueles que sujam as mãos com o sangue de seus irmãos. Outra passagem comovente do documentário é o depoimento de Leonardo Boff, que ao tentar definir o mestre diz que Dom Paulo era ao mesmo tempo terno e vigoroso diante das situações da vida. Ao mesmo tempo em que lutava pelos desvalidos, pelas mães, pelas crianças e pelo povo da rua, era vigoroso no combate à tortura (vide o projeto Brasil: Nunca Mais que ele liderou na clandestinidade com informações sobre a repressão política da ditadura) e na luta pelos direitos humanos. De relance o diretor também menciona o atrito de Dom Paulo com a cúria do vaticano (órgão administrativo), que influenciou no ato papal que desmembrou a diocese que ele dirigia.
Se o filme não traz inovações no formato, é rico em informações sobre a humanitária passagem de um brasileiro pela vida. Que o exemplo de Dom Paulo Evaristo Arns na luta pela democracia e pelo diálogo possa nos ajudar a superar este momento tão difícil da vida nacional.

Fotos: divulgação


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