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Da Canga ao Cangaço- dias de serra e sertão: o autor homenageia o pai


Livro de ZA-Feitosa, foto 1

Capa do livro de ZA-Feitosa sobre as aventuras de seu pai, Etelvino Feitosa

Para homenagear seu pai Etelvino A. Feitosa que completaria 100 anos em 2008, o escritor Z.A. Feitosa debruçou-se na história de sua família para criar Da Canga ao Cangaço: dias de serra e sertão. Num relato emocionado, o autor narra desde a vida pacata do rapaz Elvino, que trabalhava na lavoura de cana-de-açúcar do sertão nordestino, nos anos 20, os acontecimentos que provocaram a fuga do lavrador e sua entrada no cangaço até as lutas sangrentas pelo sertão, os embates entre cangaceiros e forças volantes e a entrada do ex-cangaceiro para as fileiras do exército brasileiro, onde lutou nas revoluções de 30 e 32.
No prefácio do livro, Feitosa confessa que, com sua obra, pretende reverenciar por meio do cangaço a bravura do povo nordestino que sobrevive à força de pancadas de má sorte.

 

“Imbuído deste espírito, meditei este livro um modesto tributo à memória de meu pai, que viveu dias de contrarrevolucionário, revolucionário e cangaceiro. Empresto voz às suas lembranças e conto apenas um pedacinho da história daquele moço que encontrou sua razão de viver nas lutas em defesa de interesses que nunca foram seus”, argumenta o autor.

 

Mais do que o relato das aventuras do rapazola Elvino (que só depois de entrar para o exército obteve a certidão oficial de nascimento, em que recebeu o nome de Etelvino), Da Canga ao Cangaço: dias de serra e sertão faz um breve painel histórico do Brasil dos anos 20 e 30, com a dura realidade dos povos do Nordeste brasileiro, que viviam literalmente em terra de ninguém, onde a lei sempre era a do mais forte. Nada justifica as sangrentas batalhas ocorridas pelo sertão nordestino daquela época, mas o livro de Feitosa dá luz a uma realidade daquele momento da história do país.
Jorge Amado, com brilho e riqueza de detalhes, sempre mostrou como viviam os coronéis da Bahia, que comandavam cidades e povoados na base da tirania. Neste livro Feitosa mostra a mesma realidade, só que do ponto de vista do cangaceiro, que também se submetia aos caprichos de coronéis. Invariavelmente para manter o poder local, os coronéis formavam bandos de cangaceiros para lutar por seus interesses.

Z.A. Feitosa é autor também do livro de poesias Borboleta em Cinza, do livro de memórias O Íntimo Ofício e dos romances Mulher Macho, Asas Queimadas e Algolagnia. Da Canga ao Cangaço: dias de serra e sertão tem apoio cultural da Casa Pai Joaquim de Aruanda (CPJA) e a renda obtida com a venda dos livros será destina a esta entidade da religião umbandista. Para saber mais sobre o autor, acesse www.feitosa.net

Fotos: divulgação

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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4 Comentários para “Da Canga ao Cangaço- dias de serra e sertão: o autor homenageia o pai”

  1. rafaela Says:

    Amei muito lindo !

    responder

  2. Z.A. Feitosa Says:

    Obrigado, meu caro Maurício, por abençoar o meu modesto fazer literário com sua generosa atenção. Bênçãos e êxitos.

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