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De âmbar e trigo: novela de Nanete Neves revê saga de família tcheca


Livro: De âmbar e trigo, foto 1

Novo livro de Nanete Neves remonta a saga de um casal de refugiados europeus

Depois do relato de sua experiência como jornalista em início de carreira que conseguiu uma entrevista exclusiva com o poeta Carlos Drummond de Andrade em O poeta e a foca/Pasavento,2015), Nanete Neves está de volta, só que desta vez com uma deliciosa novela. Com texto de apresentação de Santana Filho, em De âmbar e trigo /Alink Editora, a escritora remonta a saga do casal Vadim e LarissaLitinov, que em 1968 foge da antiga Tchecoslováquia e conseguem chegar a Araguari, no Triângulo Mineiro, graças ao emprenho do padre Nilo Fajnberg, também tcheco, que já estava no Brasil há mais de duas décadas.
Com uma linguagem ágil, concisa e envolvente, Nanete nos transporta ao interior das Minas Gerais das décadas de 1970 e 1980 para relatar como esta família de refugiados europeus consegue se estabelecer no país e como, mesmo com a dificuldade de adaptação e fatos trágicos do início de vida no Brasil, Nenê (uma das filhas do casal) dá prosseguimento à empreitada iniciada pelos pais.

Livro: De âmbar e trigo, foto 2

Depois de carreira de sucesso no jornalismo, Nanete Neves hoje vive de sua literatura

Tecnicamente definida como narrativa maior que o conto e menor que um romance e geralmente com trama sobre uma única personagem, a novela de Nanete envolve o leitor desde a primeira até a última página (a obra tem 128 páginas). Com alguns subtítulos em que há somente a cidade e o ano, sem ordem cronológica, o leitor vai montando o quebra cabeça e tendo a noção de como os Litinov logo se adaptaram ao novo país, sabe da tragédia ocorrida quando eles já tinham as gêmeas Nadja e Nikolina (a única que sobreviveu da explosão do sobrado da família) e todo o crescimento da garota, conhecida por todos como Nenê, que tinha dons de cura. Ao lado da história da família Litinov, a autora intercala a trajetória de outro fazendeiro da região, que viúvo procura por um novo capataz para ajudá-lo nos negócios. Aos poucos as histórias se cruzam e a trama sobre a vida dos personagens daquele vilarejo é totalmente tecida.
Além do enredo cativante (impossível interromper a leitura), Nanete Neves com poucas palavras define o perfil dos personagens, que facilmente ganham vida em sua prosa ágil e envolvente. Nenê — que com seus dons de cura passa a ser a benzedeira da região — é uma personagem encantadora. Quem não gostaria de tê-la por perto?

Ficha técnica:                                                         
Título: De âmbar e trigo
Autor: Nenete Neves
Editora: Alink, 128 pgs
Preço: R$ 35

 

Fotos: divulgação

 

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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4 Comentários para “De âmbar e trigo: novela de Nanete Neves revê saga de família tcheca”

  1. José Eduardo Pereira Lima Says:

    Excelente resenha, Maurício. Provoca a vontade imediata de ler a novela.
    Parabéns!

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Zedu, querido:
      q bom q vc gostou da resenha.
      Vc sabe, melhor do que ninguém,
      qua o objetivo da resenha é esse mesmo,
      ou seja, incentivar o leitor a consumir cultura.
      No caso o livro da Nanete Neves.
      Bjs e obrigado pela visita!

      responder

  2. Nanete Neves Says:

    Obrigada, Maurício, por sua leitura atenta aos caminhos desta minha Nenê, através da qual busco falar da fé que move os brasileiros. Acho que todo mundo, um dia, cruzou com uma benzedeira, né?

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Nanete, querida:
      Sim, a Nenê é encantadora, me ganhou logo nas primeiras páginas.
      Quero ressaltar também que sua novela toca num ponto que hoje precisamos
      ficar atentos: a questão dos refugiados. Se hoje alguns europeus se negam a
      receber refugiados de guerra, no passado (nem tão longínquo) foram eles
      que necessitaram da solidariedade de outros povos.
      E o Brasil sempre esteve aberto para receber estrangeiros, que
      aqui não só refizeram suas vidas como colaboraram pela formação desta
      nossa nação.
      Bjs

      responder

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