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Desenhos de cena #1: mostra interage artes plásticas e teatro


Exposição: Desenhos de cena #1, foto 1

Instalação da brasileira Bia Lessa, Arquivo: sem título

Com obras de 16 artistas, entre cenógrafos, diretores, figurinistas, iluminadores, sonoplastas, artistas visuais e performers, de todos os continentes, a mostra Desenhos de cena #1, com curadoria de Aby Cohen, propõe a interseção entre teatro, instalação e performance, com experimentos de luz, som e figurino. A exposição ocupa o térreo e o segundo andar do SESC Pinheiros e pode ser visitada até o dia 10 de julho.

Além das instalações, vídeos, mobiliários e demais objetos, a mostra ganha outras dimensões graças às performances que acontecem no decorrer da temporada: os horários das apresentações estão fixados ao lado das obras.

Exposição: Desenhos- de cena #1: foto 2

Arquivo: Bailarina de papel, da brasileira Marina Reis

A curadora, que é cenógrafa, figurinista e formada em design pela FAAP/SP, participou e foi premiada em 2011 na Quadrienal de Praga, considerado o principal evento de cenografia do mundo. De acordo com Aby, esta primeira participação propiciou o convite para estar novamente na edição do ano passado da mostra Checa, o que contribuiu para que pudesse organizar a Desenhos de cena #1.

Como a mostra está praticamente toda montada no segundo andar do SESC Pinheiros — no térreo há somente o trabalho da brasileira Valéria Martins, Projeto coleções: incompleto, que inclui uma performance —, o visitante pode percorrer todo o espaço expositivo e ir interagindo com as instalações. A sensação é como se estivesse dentro de um cenário de um espetáculo teatral.

Dentre as obras expostas, destaque para a instalação sonora Sussurros, do britânico Ian Evans, em que o visitante anda pelo espaço ao som de sussurros, vozes e instrumentos musicais: os painéis de madeira transformam-se em autofalantes, ao tocar nelas há sutis modificações sonoras.
A participação na exposição da diretora teatral brasileira Bia Lessa (que também é cenógrafa, cineasta e foi curadora de grandes eventos culturais) é significativa. Arquivo: sem título é uma instalação que reproduz uma sala de trabalho, com uma grande mesa quadrada com livros e anotações espalhados e em cadeiras há telões que reproduzem uma conversa da artista com os convidados Flora Süssekind, Ângela Leite Lopes e Bruno Siniscalchi, que falam sobre a criação de livros, espetáculos e construções arquitetônicas. Nas paredes ao lado da mesa, há anotações, cartazes e vídeos de alguns trabalhos da diretora (com fones, o visitante pode ouvir trechos de peças dirigidas por Bia, como Medeia, de Eurípedes, interpretada por Renata Sorrah e José Mayer em 2004).

Outro destaque da mostra é para a instalação O Banquete d’água do britânico Richard Downing: uma mesa preta de nove metros de comprimento por dois metros de largura, rodeada de cadeiras, traz em seu tampo um grande espelho d’água. Diariamente há intervenções e semanalmente um banquete para 18 convidados é servido, com menu de entrada, prato principal e sobremesa.
Ponto de fusão, do finlandês Antti Mäkelä, também chama a atenção: é uma instalação sonora em que  grandes pedras de gelo, com microfones instalados no interior, estão suspensos; a obra processa os sons da água em diferentes estados (fluida, congelada, derretendo e em evaporação). Os sons são amplificados, transmitidos e reproduzidos no espaço ao redor da piscina.

Exposição: Desenhos de cena #1: foto 3

Instalação O Banquete d’água do britânico Richard Downing

 

A mostra foi aberta dia 14 de abril e como fica em cartaz até 10 de julho há tempo para visitar e agendar nova visita para poder acompanhar as performances.

 

Roteiro:
Desenhos de cena #1: mostra de 16 artistas une teatro e artes plásticas. SESC Pinheiros, Rua Paes Leme, 195, tel. 11 3095-9400, Piso térreo e 2º andar. Horários: terça a sexta das 10h30 às 21h30; sábado das 10h30 às 21h; domingos e feriados das 10h30 às 18h30. Ingresso: gratuito. Temporada: até 10 de julho.

Fotos: Alexandre Nunis

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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