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Dorotéia: Rosamaria Murtinho revisita clássico de Nelson Rodrigues


Peça: Dorotéia, foto 1

Rosamaria Murtinho como Dona Flávia e Leticia Spiller na pele de Dorotéia protagonizam montagem da peça de 1949

Depois de temporada carioca e turnê pelo país, está em cartaz até início de julho, no Teatro Cetip do Instituto Tomie Ohtake, Dorotéia, peça clássica de Nelson Rodrigues, escrita em 1949, que ganhou adaptação do diretor Jorge Farjalla, de Diogo Pasquim e da atriz Rosamaria Murtinho, que está festejando 60 anos de carreira. A trama central discute a supervalorização da beleza feminina por meio da trajetória da personagem título da obra, vivida por Leticia Spiller, uma mulher muito bonita que deseja negar e destruir sua beleza. Para isto vai ao encontro de suas primas mais velhas — Dona Flávia interpretada por Rosamaria, Maura (Alexia Dechamps) e Carmelita (Jaqueline Farias) — com a intenção de se igualar à feiura delas.
Com direção e encenação de Farjalla, a montagem conta com um cenário encantador de José Dias (os espectadores se dividem entre o palco e a plateia) e 12 intérpretes em cena, sendo seis atrizes e seis músicos.

Peça: Dorotéia, foto 2

Maura (Alexia Dechamps), Dona Flávia (Rosamaria), Carmelita (Jaqueline Farias) e Maria das Dores (Anna Machado) vivem na casa só de mulheres

Dona Flávia, sua filha Maria das Dores (Anna Machado) e as outras duas primas já estão em cena quando os espectadores entram. A história de Nelson Rodrigues se passa nesta casa só de mulheres, que há 20 anos nenhum homem tem o direito de entrar e que as moradoras têm vida de privações. A chegada de Dorotéia provoca uma revolução na vida destas puritanas, amargas e feias: muito bonita, ela pede abrigo às parentas, depois de ter abandonado a prostituição após a morte do filho pequeno. As primas abominam a vida sexual e amorosa de Dorotéia e para deixá-la ficar exigem que ela também se torne puritana e feia como elas. Doroteia aceita as condições e procura se adaptar à nova vida, mas o desejo e sua propensão ao amor e à vida vão se chocar com as normas rígidas e autoritárias da matriarca Dona Flávia. Outra que rompe com a tirania daquele lar é a jovem Maria das Dores, que abandona o puritanismo e se entrega às delícias do amor e do sexo.

 

“A peça de Nelson trata do culto à beleza e do que ele representa. Mas há nas entrelinhas um objeto maior do que o da destruição dessa beleza (tema central da obra), que é o amor. Nos dias de hoje em que o amor virtual impera e o culto ao corpo sobrevive, Dorotéia bate a tua porta para te colocar frente a frente com o teu espelho. Você vai se olhar?”, indaga Jorge Farjalla no programa da peça.

Peça: Dorotéia, foto 3

Rosamaria festeja 60 anos de carreira em grande estilo

 
Além da envolvente encenação, de belos figurinos, da maquiagem e visagismo impactantes e da trilha sonora executada ao vivo, o grande destaque fica para a interpretação das atrizes Leticia Spiller, Dida Camero, Anna Machado e da veterana Rosamaria Murtinho, que em plena forma domina a cena. Sem dúvida o grande presente para os 60 anos de carreira é a sua composição desta matriarca rodrigueneana.

 

Roteiro:
Dorotéia
. Texto: Nelson Rodrigues. Direção e encenação: Jorge Farjalla. Dramaturgia: Rosamaria Murtinho, Jorge Farjalla e Diogo Pasquim. Elenco: Rosamaria Murtinho, Leticia Spiller, Alexia Dechamps, Anna Machado, Dida Camero, Jaqueline Farias, André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil. Direção musical: João Paulo Mendonça. Produção. Direção de arte: José Dias. Figurinos: Lulu Areal. Iluminação: Jorge Farjalla, Jessica Catharine e José Dias. Preparação vocal: Patrícia Maia. Fotografia: Carol Beiriz. Produção executiva: Sandra Valverde. Direção de produção: Lu Klein. Realização: MRM Produções.
Serviço:
Teatro Cetip, Instituto Tomie Ohtake (627 lugares), Rua Coropés, 88, tel.11 4003.5588. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: de R$ 110 a R$ 70. Bilheteria: terça a sábado das 12h às 20h; domingo e feriados das 13h às 20h. Duração: 90 min. Classificação: 16 anos. Temporada: até 02 de Julho.

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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