Em “Cruel”, Reynaldo Gianecchini vive novo vilão

De em junho 28, 2011

Erik Marmo na pele de Adolfo, influenciável por Gustavo, vivido por Gianecchini

Inaugurando o horário das 21h de segundas e terças do Teatro FAAP, estreou nessa semana o espetáculo Cruel, uma tradução e adaptação de Elias Andreato da peça Os Credores de August Strindberg.
Nada como uma boa história bem contada. Desde a primeira cena o público é fisgado pela trama muito bem articulada do mestre da dramaturgia sueca e mundial. O casal, a traição e o sentimento de vingança: o clássico triângulo amoroso é a matéria prima do enredo de Strindberg. Com um texto cortante e certeiro, o espectador logo toma conhecimento dos objetivos do vingativo Gustavo, interpretado por Reynaldo Gianecchini. Traído pela esposa Tekla (Maria Manoella), ele se faz passar por confidente do artista plástico Adolfo, vivido por Erik Marmo, atual marido da bela mulher. Aos poucos Gustavo ganha a confiança do inseguro pintor e o manipula, insuflando sentimentos de posse e ciúme, facilmente absorvidos pelo influenciável artista. De forma maquiavélica, Gustavo arma a situação: pede para que o rival teste a esposa e fica à espreita. Ambos caem na armadilha e, depois do desentendimento entre eles, o ardiloso Gustavo entra em cena novamente; seduz a ex-esposa e o conflito chega ao ápice, para o desfecho trágico.

Maria Manoella é a fogosa Tekla, primeira esposa de Gustavo

Andreato optou por cenas somente entre dois personagens; assim o jogo cênico fica mais dinâmico e os sentimentos de amor e ódio, amizade e aversão, desconfiança e paixão são evidenciados. A luta de ideias é acirrada:
“Tenho esse projeto desde 1983, quando atuei em Senhorita Julia, do próprio Strindberg. Dali em diante li várias coisas dele e fiquei apaixonado por Os Credores. Preferi Cruel ao título original, porque combina mais com a peça, com os personagens e com o autor, em relação à observação do cotidiano da alma humana”, conta o diretor.
A trama se passa na época em que foi escrita, final do século XIX, mas é extremamente atual, pois disseca questões cotidianas de um casal, como separação, traição, ciúme, sentimento de posse. Além da direção precisa, o cenário e o figurino de Fábio Namatame são primordiais para o desenvolvimento da teia armada pelo autor. Gianecchini e Erik podem surpreender aquele desavisado que for buscar neles apenas os galãs da TV: ambos compõem seus personagens de forma densa e profunda. Manoella também está segura na pele da fogosa e sedutora escritora Tekla.
Fiquei embevecido com o envolvente texto de Strindberg, mas senti que o entrosamento entre os três em cena poderá se aperfeiçoar com o decorrer da temporada.

Fotos: João Caldas


2 Comentários

sergio

julho 12, 2011 @ 08:18

Resposta

Tive a honra de assistir com vc!
Como eu faço para colocar no meu face?

Bacci

Maurício Mellone

julho 12, 2011 @ 14:18

Resposta

Bruno:
Com a nova reformulação do blog (devo colocar no ainda nessa semana)
vai ficar mais fácil compartilhar nas redes sociais. Se vc puder, espere
até o final da semana.
Obrigado e
bjs

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