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Espectros: clássico de Ibsen revisitado por Bergman


Pastor e a viúva, interpretados por Nelson Baskerville e Clara Carvalho

Montagem de clássicos do teatro é sempre muito louvável. Quando o clássico recebe uma adaptação de outro mestre das artes, aí passa a ser um presente para o público. É o acontece com Espectros — com temporada até 12 de junho no Teatro Anchieta, Sesc Consolação — de Henrik Ibsen, adaptado por Ingmar Bergman. A peça original é de 1881 e em 2002 o cineasta e diretor teatral traduziu e trouxe para o século XXI o drama que escandalizou a Europa quando foi encenada.
Com direção de Francisco Medeiros, a peça retrata a volta do filho (Flavio Barollo) para a cerimônia de inauguração de um orfanato em homenagem póstuma ao pai. A mãe, vivida por Clara Carvalho, havia internado o filho num colégio e, com sua chegada, o passado da família vem à tona. A verdadeira história daquela família vai se revelando no decorrer da trama, como num suspense. A cumplicidade do pastor (vivido por Nelson Baskerville) com a dona da casa, o mistério compartilhado com o carpinteiro da obra (Plínio Soares) e o envolvimento do garoto com a empregada da casa (Patrícia Castilho) culminam num final avassalador. Os espectros que rondam aquela casa deixam o espectador ainda mais envolvido com a trama.
Por lidar com dramas familiares e de forma contundente, a peça é extremamente contemporânea. Para o diretor “Ibsen foi um dos grandes retratistas de seu tempo e sua obra desnuda a sociedade da época, mostrando o lado obscuro da sociedade e da família, um dos pontos que torna Espectros muito atual”.

Elenco: Plínio Soares, Flavio Barollo, Clara, Patrícia Castilho e Nelson

O criativo cenário de Marcio Medina e Cesar Santana (as pilastras que se movem alterando o fundo e frente da casa), a iluminação sensível de Wagner Freire e a interpretação marcante de Clara Carvalho e Flavio Barollo são os grandes destaques desse clássico revisitado.

Fotos: Ronaldo Gutierrez

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4 Comentários para “Espectros: clássico de Ibsen revisitado por Bergman”

  1. Imad Says:

    Dois artistas grandiosos que souberam tratar do universo familiar, com suas dores, segredos, mentiras etc. Enfim, mestres que fizeram da vulnerabilidade da condição humana a matéria-prima de suas obras. Vale a pena, certamente!

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  2. Dinah Says:

    Maurício,
    Já teve a Casa de bonecas… e agora a Casa dos Espectros? Mexer com o passado das famílias, em geral, é abrir um vespeiro. Ibsen sempre soube tratar brilhantemente essas tramas, fazendo retratos familiares e sociais desconcertantes. Que continuam atuais, né? Gostei muito da resenha. bj.

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    • Maurício Mellone Says:

      Dinah:
      Essa montagem é com a adaptação que Ingmar Bergman fez da peça original de Ibsen: dois mestres que sabem lidar com as
      tramas familiares. Vale a pena conferir!
      Obrigado pelos elogios e pela audiên cia!
      bjs

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