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Eu te levo: Anderson Di Rizzi vive rapaz sem perspectivas na vida


Filme: Eu te levo, foto 1

Na pele do indeciso Rogério, Anderson Di Rizzi protagoniza filme de Marcello Müller

Um rapaz de poucas palavras, introspectivo e inseguro. Este o perfil de Rogério, personagem central do longa-metragem Eu te levo, do diretor Marcello Müller, interpretado por Anderson Di Rizzi. A trama começa com Rogério no velho carro da loja de materiais de hidráulica de sua família: ele para em frente ao estabelecimento e não tem coragem de abri-la. Em casa com Marta, sua mãe, vivida por Rosi Campos, o rapaz esconde que não tem interesse em manter o negócio deixado pelo pai, que acabara de morrer.
Com quase 30 anos, Rogério se vê numa cilada: precisa ser o arrimo da família, mas não quer deixar morrer seu velho sonho de um dia se tornar membro do Corpo de Bombeiros.

Filme: Eu te levo, foto 2

Giovanni Gallo vive Cris, que pega carona com Rogério (Anderson)

Mesmo com toda sua indecisão, Rogério inicia um curso de preparação para bombeiros na capital paulista. Ele diz à mãe que está fazendo um curso de hidráulica e viaja diariamente. Sabendo de sua rotina, um amigo pede que ele dê carona para seu irmão Cris, interpretado por Giovanni Gallo, que está se preparando para o vestibular. Rogério é fã de rock pesado e durante a viagem, com o som do carro no máximo, eles pouco se falam, há até certa animosidade no ar. No entanto, Rogério descobre que Cris trancou seu curso e trabalha num coletivo de arte. Como ambos mantêm segredos sobre suas vidas, cria-se uma cumplicidade, tanto que Rogério passa a frequentar o local de trabalho de Cris e acaba se envolvendo com Ana (Gabriela Palumbo), uma das diretoras do coletivo.

Filme: Eu te levo, foto 3

Rosi Campos é a mãe de Rogério: eles têm de lidar com a perda do chefe da casa

Rodado em preto e branco, o filme tem roteiro (assinado pelo diretor) com lacunas, não se vê um fio condutor da trama. Rogério quer ser bombeiro, mas não admite se tornar um militar, além de se mostrar inseguro diante da empreitada de assumir a loja. Parece que vive eternamente na crise da adolescência. Já Cris — este sim, em plena indecisão de pós-adolescente — não quer fazer faculdade, mas, como o amigo, não tem perspectivas e diz que vai viajar, mas para onde? Senti falta de maior definição de personagens, além de situações soltas, sem ter sido devidamente alinhavadas. No entanto Anderson Di Rizzi tem boa atuação, é convincente como um rapaz de 30 anos que ainda não se definiu na vida. Rosi Campos também encarna com verdade a condição de Marta, uma recém-viúva; pena que os conflitos com o filho são pouco explorados.

Fotos: divulgação

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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