Peça: Eu não dava praquilo, foto 1

Exclusivo: Cassio Scapin fala da estreia da peça sobre Myriam Muniz

De em junho 24, 2013

Peça: Eu não dava praquilo, foto 1

Cassio Scapin sobe ao palco, desta vez num monólogo em  homenagem à Myriam Muniz

A 20 dias da estreia nacional do monólogo Eu não dava praquilo que faz uma justa homenagem à atriz paulista Myriam Muniz falecida em 2004, o ator Cassio Scapin concedeu uma entrevista exclusiva ao Favo. Aos 48 anos, inúmeros prêmios na carreira e passagens marcantes no teatro, na TV e no cinema, o ator pela primeira vez se aventurou como autor — divide a parceria do texto com seu xará Cássio Junqueira. Na entrevista, ele conta sobre esta experiência autoral, além de explicar o processo criativo da montagem, seu entrosamento com o diretor Elias Andreato (especialista em monólogos) e a intenção do espetáculo, que é no fundo fazer uma grande homenagem à arte de interpretar por intermédio da carreira e do método peculiar de ensinar teatro da atriz Myriam Muniz.

Entrevista: Cassio Scapin, foto 2

Até o dia 30/06 o ator está no elenco de Lampião e Lancelote

Abrindo uma brecha na concorrida agenda — além dos ensaios para a estreia, Scapin está no elenco da peça Lampião e Lancelote, o ator fez questão de atender à reportagem e logo no início explica esta primeira experiência autoral:

É a primeira vez que escrevo para teatro. Mas em Eu não dava praquilo não é um trabalho de dramaturgia propriamente dito. São pensamentos da Myriam Muniz que eu e o Cássio Junqueira interligamos. Criamos um raciocínio já que o raciocínio dela era caótico e divertido. Roteirizamos e criamos a dinâmica cênica num monólogo. Há poemas do Cássio e pensamentos nossos misturados aos pensamentos da Myriam”, diz.

Além de entrevistas com amigos da atriz, a pesquisa para a concepção da peça teve como base o livro da escritora Maria Thereza Vargas, Giramundo- o Percurso de uma Atriz, e o DVD que as amigas Carmo Sodré, Muriel Matalon, Vânia Toledo, Angela Dória e Sandra Mantovani lançaram um ano após sua morte com uma entrevista feita em 1999, no apartamento onde Myiam morava, em São Paulo.
Eu não dava praquilo será o quarto monólogo na carreira do ator, que já encenou Diana de Celso Frateschi em 1987, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e direção de Regina Galdino em 1998 e Quando Comi o Cão, em 2003, do russo Evguéni Grichkovets, com direção de José Simões. Mesmo com esta bagagem com solos, ele afirma que o processo de composição deste espetáculo está sendo mais difícil:

Confesso que como participo da autoria do texto, minha composição em cena está sendo mais difícil. Quando se tem o norte que não é da sua cabeça, pode-se contrapor, dialogar. Como criei também o texto, há um terreno arenoso desta vez. Fico com dúvida se o nosso trabalho fará jus ao pensamento da Myriam. Mas por outro lado, está sendo muito estimulante este processo criativo”.
Se Scapin vive um momento desafiador na carreira já que vai estar só em cena num texto de que participa como autor, ele tem um grande aliado nesta  aventura: o ator Elias Andreato, especialista em monólogos, que dirige a peça:

Entrevista: Cassio Scapin, foto 3

Elias Andreato dirige o monólogo

O Elias é um craque em solo, é um craque em escrever os solos que interpreta. Minha relação com ele está sendo deliciosa, ele é supergeneroso e carinhoso; tem um jeito de dirigir que me deixa muito confortável em cena”, esclarece o ator.

Para encerrar, Scapin faz questão de reforçar a intenção que eles têm com o espetáculo. Mais do que homenagear a grande atriz, diretora e professora Myriam Muniz, a peça é uma homenagem à arte de interpretar:

O monólogo, cômico dramático, faz uma homenagem ao ator por meio do método peculiar de se ensinar teatro criado por Myriam Muniz. Com a herança do Teatro de Arena em que ela foi atuante, seu método juntava o sacro e o profano, o drama e a comédia, com forte sabor brasileiro”.

E Cassio Scapin finaliza tentando definir esta influente artista brasileira:

Myriam tinha uma personalidade ímpar, que conferiu a ela uma forma inigualável de representar. Impulsiva, intuitiva, geniosa, mas de uma generosidade hoje rara nos palcos. Em sua trajetória não se consegue descolar trabalho e vida. Seu ofício era o seu jeito de existir”, conclui o ator.

Entrevista: Cassio Scapin, foto 4

Além de atuar, Scapin assina a autoria do texto com Cássio Junqueira

Eu não dava praquilo estreia dia 12 de julho no CCBB/SP, permanecendo em cartaz até final de setembro. Outro diferencial da peça são os horários: além do final de semana, haverá sessão às segundas, dia em que a classe teatral tem folga e poderá conferir esta nova performance do premiado ator Cassio Scapin.
Aguardem e não deixem de conferir!

Fotos: João Caldas

Roteiro:
Eu não dava praquilo
. Texto: Cássio Junqueira e Cassio Scapin. Direção: Elias Andreato. Elenco: Cassio Scapin. Figurino e cenário: Fabio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Trilha sonora: Jonatan Harold. Assistente de direção: André Acioli. Produção executiva: Angela Dória. Fotos: João Caldas. Programação visual: Denise Bacellar. Direção de produção: Fernanda Signorini. Realização: Signorini Produções e Dub Serviços Artísticos.
Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil (125 lugares), Rua Álvares Penteado, 112, São Paulo. Informações: tel: 3113-3651 / 3113-3652. Horários: sábado às 20h, domingo às 19he segunda às 20h. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia). Bilheteria: terça a domingo, das 9h às 20h. Ingressos: venda pelo site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do CCBB. Estacionamento: conveniado Estapar – Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos). Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Duração: 60min. Classificação: 16 anos. Temporada: de 12 de julho a 23 de setembro de 2013.


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