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Febre do Rato: filme libertário e anarquista de Cláudio de Assis


Matheus Nachtergaele e Irandhir Santos são aos amigos Pazinho e Zizo

Fora de controle é o que significa no Nordeste o título do filme do diretor pernambucano Cláudio de Assis. E Febre do Rato é também o nome que o personagem central, Zizo, dá a seu tabloide, que divulga suas ideias e poesias libertárias e anárquicas.
Fora de controle, fora dos padrões cinematográficos convencionais e fora do modelo de novela de TV. Este é o filme de Cláudio de Assis: rodado em preto e branco, com um movimento de câmera inusitado e com um roteiro que prioriza a poesia panfletada, pichada e declamada em alto-falante pelas ruas de Recife. Zizo, interpretado de maneira visceral por Irandhir Santos, por sua postura inconformada diante da vida, lidera uma comunidade; seus amigos comungam de suas ideias de liberdade e vivem sem qualquer tipo de preconceito.

Cartaz do filme, que foi o grande ganhador do Festival de Paulínia 2011

Depois de retratar a violência sexual e o machismo na Zona da Mata de Pernambuco— Baixio das Bestas, Cláudio quis trazer a alegria, a festa e, principalmente, a poesia para as telas. No site oficial (http://www.febredoratofilme.com) ele confessa que seu filme é anarquista e com ele quer dar coragem a quem assiste:

Coragem para você ser quem você é. Quero que a juventude veja que é possível ainda fazer um filme desta qualidade”, diz o diretor.

Acredito que ele tenha conseguido seu intento: a alegria ultrapassa a tela.

O roteiro, assinado por Hilton Lacerda que também é o autor de todas as poesias, traz o espectador para o clima divertido e anárquico daquele grupo de pessoas. As histórias dos personagens também são contadas de maneira incomum: a ruptura, as discussões e a volta entre o casal Pazinho e Vanessa, por exemplo, interpretados por Matheus Nachtergaele e Tânia Moreno, são apresentadas de maneira caleidoscópica, o que faz com que o espectador vá juntando as partes para poder concluir. O poeta Zizo perde seu eixo com a chegada de Eneida (Nanda Costa), uma garota mais nova e que, mesmo apreciando suas ideias e sua arte, nega-se a se envolver sexual e emocionalmente com ele.
O filme — grande vencedor do Festival de Paulínia/11, como melhor filme, ator (Irandhir), atriz (Nanda), fotografia (Walter Carvalho), montagem (Karen Harley), direção de arte (Renata Pinheiro) e trilha sonora (Jorge Du Peixe) —retrata um período do ano na vida da comunidade: dos preparativos e festejos da Semana Santa, passando pelas festas juninas e culminando com a Semana da Pátria, em que os personagens fazem uma intervenção poética e anárquica ao evento oficial. Como não se vive somente de flores, uma tragédia abate sobre o grupo, mas mesmo assim Febre do Rato não termina de maneira depressiva: a poesia e semente libertária transcendem!

 Fotos: divulgação

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