Filme: Getúlio- últimos dias de um presidente, foto 1

Getúlio- últimos dias de um presidente: atuação magistral de Tony Ramos

De em maio 5, 2014

Filme: Getúlio- últimos dias de um presidente, foto 1

Tony Ramos para encarnar Getúlio Vargas usou forte maquiagem e figurino especial para deixá-lo gordo

O documentarista João Jardim em sua estreia na ficção não se afasta muito de fatos reais. Na cinematografia Getúlio- últimos dias de um presidente o diretor remonta a fase final do governo de Getúlio Vargas — interpretado com maestria por Tony Ramos —, desde o atentado ao jornalista Carlos Lacerda (vivido por Alexandre Borges), em que foi morto o Major da Aeronáutica Rubens Vaz, até a reunião ministerial em que Getúlio aceita se licenciar para facilitar as investigações do crime e, na manhã seguinte, resolve se suicidar. Do atentado da Rua Toneleiros (como o crime ficou conhecido) até o ato final foram exatos 19 dias, em que o espectador tem contato não com um político carismático e de extrema popularidade, mas com um homem que se vê acuado, pressionado e que nutre o silêncio como seu maior aliado.

Getúlio- últimos dias de um presidente

Alexandre Borges vive o jornalista Carlos Lacerda

Engana-se quem for ao cinema em busca de uma biografia do político gaúcho Getúlio Vargas. Com roteiro de George Moura, a trama faz um recorte na vida do líder e apresenta somente a fase mais crítica e derradeira de sua trajetória política. O filme começa com um telefonema ao Palácio do Catete em que Getúlio, de pijama, fica sabendo do atentado a Lacerda, que fazia ostensiva oposição ao seu governo. A morte do major, segurança do jornalista, provoca muita discussão tanto no Congresso Nacional como entre os comandantes militares. As investigações comandadas pelo coronel Skaffa (Alexandre Nero) apontam que a ordem para o atentado partiu do Palácio do Catete, o que motiva a oposição e segmentos das Forças Armadas a exigirem a renúncia de Getúlio. O tenente Gregório Fortunato (Thiago Justino), chefe da guarda pessoal do presidente, é acusado.
É dentro deste contexto de extrema convulsão política — além do crime, graves denúncias de corrupção vêm à tona — que a figura de Getúlio é retratada no filme. Há uma única tomada do presidente na rua, num discurso em Belo Horizonte, dias antes do suicídio, em que se vê o político carismático e populista (sua frase que ficou histórica nas falas públicas, ‘Trabalhadores do Brasil’). No restante do filme, o personagem está acuado no Catete, tentando solucionar a grave crise política e pessoal por que vive. A cena da reunião ministerial em que Getúlio está em silêncio, absorto é crucial para se entender a proposta do filme: o que se passa na cabeça de uma pessoa que comete o suicídio? O que leva a pessoa a um ato tão extremo?

Filme: Getúlio- últimos dias de um presidente, foto 3

Drica Moraes é Alzira Vargas, filha e assessora de Getúlio

 

O grande destaque de Getúlio- últimos dias de um presidente (produzido por Carla Camuratti) sem dúvida é para a atuação de Tony Ramos: com a ajuda de maquiagem e figurino especial para deixá-lo mais gordo, o ator encarna com perfeição o velho caudilho. Se na TV Tony detém uma galeria de personagens marcantes, no cinema esta composição introspectiva para Getúlio Vargas fica para a história como um de seus grandes desempenhos. E sua cumplicidade em cena também deve ser ressaltada: Drica Moraes, na pele da filha Alzira, traz humanidade e grandeza para aquela relação de pai e filha/ chefe e assessora direta.

 

Fotos: divulgação


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