Peça: A Toca do Coelho, foto 1

Gianecchini e Maria Fernanda vivem drama familiar em A Toca do Coelho

De em outubro 2, 2013

Peça: A Toca do Coelho, foto 1

Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido são Paulo e Becca, que precisam lidar com a perda

A Toca do Coelho, texto premiado nos Estados Unidos que acaba de estrear no Teatro FAAP, faz uma radiografia na vida de um casal após uma perda irreparável. O espetáculo começa na bela casa de Becca, vivida por Maria Fernanda Cânido,  que dobra peças de roupas infantis e ouve sua irmã Isa, interpretada por Simone Zucato, contar sobre a briga que protagonizou na balada da noite anterior. Becca se mostra aflita com o destempero da caçula, que confessa ao final da conversa que está grávida. Becca, ao invés de se alegrar com a chegada do primeiro sobrinho, se assusta e demonstra um nervosismo incompreensível até então. A sequência é com a chegada de Paulo, vivido por Reynaldo Gianecchini, que sabe da novidade da cunhada e tenta, em vão, ter momentos agradáveis e íntimos com a mulher. Mas ela é irredutível e a verdade é revelada ao público: a morte do filho do casal ainda perturba muito a vida deles. Durante a trama, Becca e Paulo demonstram as mais variadas atitudes e sentimentos diante do drama que vivem.
Além de terem de conviver com os fantasmas, as culpas e as lembranças do filho, Becca e Paulo são surpeendidos com a gravidez de Isa: a chegada de outra criança na família perturba ainda mais a vida do casal. Estão todos abalados e cada um procura superar a dor de uma maneira: se Becca perdeu totalmente o chão e sofre sozinha, Paulo demonstra no início estar bem, mas aos poucos a revolta e a incompreensão diante da falta do garoto são inevitáveis. O personagem de Nat, mãe de Becca, vivida por Selma Egrei, serve de contraponto: alegre e bem-humorada, ela procura consolar a filha, já que também passou pelo mesmo drama de perder um filho.

Peça: A Toca do Coelho, foto 1

Selma Egrei vive a mãe de Isa e Becca, vividas por Simone Zucato e Maria Fernanda

No entanto, um personagem fora deste círculo familiar traz um desconforto à vida de Becca e Paulo: Jason (Felipe Hintze), um adolescente que por uma fatalidade atropelou um garoto que corria atrás de seu cãozinho, busca se retratar com o casal. A reação deles é diametralmente oposta, mas este choque de realidade pode contribuir para a superação da dor.
A trama de David Lindsay Abaire, traduzida por Simone Zucato e adaptada por Alessandra Pinho, envolve o espectador exatametne por não ser maniqueísta, ao contrário, mostra as diferentes maneiras e estratégias para enfrentar um grave problema. Dan Stulbach, em sua estreia na direção, se mostra seguro e consegue retirar de seus colegas atores a essência dos personagens. A cenografia de André Cortez surpreende: os cômodos da mansão apenas são delineados e a imaginação do espectador deve funcionar para completar o todo. A luz de Marisa Bentivegna também é outro destaque, pois pontua o clima do espetáculo. E para papéis tão densos e multifacetados como de Becca e Paulo, Maria Fernanda Cândido e Reynaldo Gianecchini demonstram maturidade, esbanjando talento e competência.

Peça: A Toca do Coelho, foto 3

Trama de David Lindsay Abaire marca a estreia de Dan Stulbach na direção

 

A Toca do Coelho, mesmo tratando de tema tão tocante como a perda de uma criança, foge do melodrama e do exagero. Espetáculo sensível e que provoca reflexão sobre a superação.

Fotos: João Caldas

 


6 Comentários

Imad

outubro 3, 2013 @ 17:21

Resposta

Olá, Maurício!
Entendo que você seja contra críticas ácidas de alguns veículos. Mas, justamente por haver em Sampa uma grande quantidade de atrações culturais, acabamos, bem ou mal, sendo norteados por muitas delas na hora de realizar escolhas. Eu tenho reservas quanto ao Gianecchini como ator, mas, depois de sua resenha, penso em ver a peça para quem sabe mudar de opinião. Bjs

Maurício Mellone

outubro 4, 2013 @ 12:31

Resposta

Imad:
Que delícia receber sua participação aqui, de novo!
Estou com saudades de nossos papos ao vivo!
Quanto à crítica de alguns veículos, em particular de Veja e Folha,
mais parece que o crítico almeja/deseja mais atenção pra si mesmo do que
ao produto cultural que analisa. Infelizmente!
A crítica da FSP à peça “A Toca do Coelho’ é bem neste sentido; o tema é
tocante e nem resvala em melodrama.
Os dois atores protagonistas estão muito bem dirigidos e merecem respeito
dos meus ‘coleguinhas’ de profissão.
Tomara q vc vá assistir e aprecie o trabalho do Giane.
bjs e até breve, num encontro real!

Alessandra

outubro 3, 2013 @ 11:57

Resposta

Olá, sou a adaptadora do texto da peça. Seria possível incluir meu nome (Alessandra Pinho) também entre os “tags”? Agradeço desde já. Alessandra.

Maurício Mellone

outubro 3, 2013 @ 14:07

Resposta

Alessandra:
Na resenha, seu crédito como responsável pela adaptação do texto
está descrito.
Nas tags, meu técnico aconselha colocar até 5 palavras,
fiz uma exceção e coloquei 6 nomes. Mas como vc foi muito
simpática em deixar aqui seu comentário (que agradeço imensamente)
vou fazer mais uma exceção!
bjs e obrigado

Ed Paiva

outubro 2, 2013 @ 19:07

Resposta

Ótima resenha, Maurício. Lendo-a, relembrei-me da peça e das questões que ela estimula. Dan Stulbach dirige a peça com segurança, cuidado e delicadeza. As interpretações estão muito naturais, críveis, com desenvoltura. Selma Egrei traz uma leveza à peça com uma personagem que cria empatia imediata com o público. Gianecchini e Maria Fernanda Cândido surpreendem mais uma vez com a complexidade das emoções que vão se revelando gradativamente. Apesar de ser um tema muito triste e que deve tocar a fundo a muitos na plateia, a peça nos leva para o caminho da superação da dor.
Adorei, Maurício.

Maurício Mellone

outubro 3, 2013 @ 14:12

Resposta

Ed:
que bom q vc gostou e concorda com as minhas
observações sobre as boas interpretações
dos atores (vc e eu destacamos a Maria Fernanda e o Gianecchini).
Hoje li uma crítica na Folha que abomina a atuação dos dois!
Sempre quando leio crítica com este tipo de tom depreciativo,
penso que o crítico quer mais atenção a ele do que ao produto de
que está escrevendo.
E é por isto também que não tenho a pretensão de fazer crítica,
o que faço aqui no Favo são resenhas indicativas da imensa produção cultural
da cidade de São Paulo.
Novamente agradeço por sua constante participação e seu eterno incentivo ao
meu trabalho.
bjs

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