Mostra: Gianni Ratto 100 anos, foto 1

Gianni Ratto 100 anos: mostra mergulha na vida e obra do artista

De em fevereiro 10, 2017

Mostra: Gianni Ratto 100 anos, foto 1

Cenário de Gianni Ratto para o espetáculo ‘L’Incoronazione di Poppea’ do Teatro alla Scala/1953



“Ele abriu a minha vida, me educou para o teatro.”
A partir desta declaração de Fernanda Montenegro sobre Gianni Ratto é possível dimensionar a importância deste artista ítalo-brasileiro para a história do teatro. A exposição Gianni Ratto 100 anos, que acabou de ser inaugurada no SESC Consolação, tem esta intenção. Com curadoria da historiadora Elisa Byington e da designer Antonia Ratto, filha do artista, a mostra está dividida em dois blocos, o primeiro dedicado ao período em que Ratto trabalhou na Itália, onde fez cenografia para 120 espetáculos e contribuiu para a reconstrução do teatro italiano pós-guerra. O segundo bloco é sobre sua produção no Brasil, desde sua estreia como diretor, cenógrafo e iluminador no espetáculo O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh e com Maria Della Costa à frente do elenco, até os últimos trabalhos em 2005, quando morre aos 89 anos. Gianni Ratto, com sua cultura e conhecimento universal da arte dramática, ajudou a construir o teatro moderno brasileiro.
Com obras dos acervos do Instituto Gianni Ratto, Funarte, Teatros Piccolo, Scala de Milão, Maggio Musicale Fiorentino e dell’Opera de Roma, a exposição reúne cerca de 500 objetos, entre fotos, cartazes, croquis, desenhos, maquetes, além de áudios de alguns espetáculos, vídeos interativos com a obra completa do artista e o documentário A Mochila do Mascate/2005, dirigido por Gabriela Greeb sobre a vida e obra de Gianni Ratto.

Exposição: Gianni Ratto 100 anos, foto 2

Gianni Ratto, um homem de teatro, foi diretor, cenógrafo, iluminador e figurinista

A exposição está montada no espaço de convivência do Sesc Consolação, logo na entrada do prédio. Já no corredor, o visitante tem acesso ao mural com a linha do tempo, com informações históricas e dados pessoais de Ratto. Depois disto é que a mostra propriamente dita tem início: como se adentrasse aos bastidores de um teatro, por meio de uma grande cortina vermelha, o visitante percorre o espaço, onde de maneira cronológica estão colocados os objetos. Sempre com um som ambiente (a mãe de Gianni era pianista e ele se tornou um amante da música), o público pode ter acesso a toda a obra do artista, que durante sua carreira atuou em quase todas as áreas do teatro, como diretor, cenógrafo, iluminador e figurinista. Pendurados por cordas há cartazes das peças, recortes de jornal, além de croquis em diferentes técnicas (originais e fac-símiles), fotos, desenhos, guaches dispostos em bancadas.
Há ainda pelo percurso áudios de algumas peças e vídeos sobre as obras, alguns deles interativos, em que o visitante pode escolher o que pesquisar da obra dele (teatro dramático, lírico, balé, comédia musical e cartas). Para marcar a participação de Gianni na resistência à ditadura militar, a mostra destaca as principais peças de que ele participou, como Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, A saída, onde fica a saída e Gota d’água (o áudio com Bibi Ferreira cantando é emocionante!). No final, há quatro pôsteres de Gianni, uma mesa com seus livros (as pessoas podem ler e pesquisar) e o vídeo sobre sua carreira, com depoimentos de amigos que trabalharam juntos, como Sergio Brito, Ítalo Rossi, Bibi Ferreira e Fernanda Montenegro, dentre outros.

Exposição: Gianni Ratto 100 anos, foto 3

Outro cenário do artista para a peça ‘O Beijo no Asfalto’, de Nelson Rodrigues, 1961

Além do encantamento de poder percorrer a mostra como se estivesse no interior de um grande palco de teatro, o visitante tem acesso a um rico catálogo produzido pelo Sesc, que compreende toda a mostra. Vale também como um valioso objeto de pesquisa.
Aos amantes de teatro e a todo público, um programa cultural imperdível. O bom é que a temporada é extensa, até final de abril. Programe-se! Como aperitivo, fique com um vídeo da peça Gota d’água de Chico Buarque e Paulo Pontes, com Bibi Ferreira à frente do elenco:

Roteiro:
Gianni Ratto – 100 anos
. Exposição sobre a vida e obra do artista. Sesc Consolação – área de convivência, Rua Dr. Vila Nova, 245, tel. 11 3234-3000. Horário: de segunda a sexta das 11h30 às 21h30; sábados e feriados das 10h às 18h30. Ingressos: gratuitos. Temporada: até 29 de abril.

Fotos: divulgação


2 Comentários

José Eduardo Pereira Lima

fevereiro 13, 2017 @ 12:07

Resposta

Adorei sua resenha! Parabéns!

Maurício Mellone

fevereiro 13, 2017 @ 12:12

Resposta

Zedu,
obrigado!
A mostra é uma delícia, fiquei encantado;
é um mergulho na obra do Ratto, uma riqueza de
detalhes e pesquisa rigorosa e profunda!
Bjs

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