Filme: Green Book -o guia, foto 1

Green Book- o guia: com 5 indicações ao Oscar, filme denuncia racismo

De em fevereiro 5, 2019

Filme: Green Book -o guia, foto 1

Viggo Mortensen e Mahershala Ali vivem o motorista e o pianista em trama de 1962

Com cinco indicações ao Oscar/19 — filme, roteiro original, montagem, ator e ator coadjuvante —, Green Book – o guia, do diretor Peter Farrely, é um alerta contra o racismo nos Estados Unidos. Inspirada em história real, trama retrata a convivência entre o pianista Don Shirley, interpretado por Mahershala Ali e indicado a ator coadjuvante, e seu motorista Tony Vallelonga, papel de Viggo Mortensen indicado a ator, durante uma turnê do músico pelo sul do país em 1962. Com temperamentos opostos e histórias de vida distintas, o motorista e o pianista no início da viagem têm atritos constantes, mas com o desenrolar da turnê que avança para o sul (em estados conservadores e racistas) eles se aproximam e nasce uma verdadeira relação de amizade.

Filme: Grenn Book - o guia, foto 2

Ali interpreta o famoso pianista e compositor Donald Walbridge Shirley

 

Com semelhanças entre duas grandes produções — Conduzindo Miss Daisy/89 e Intocáveis/12—, o filme de Farrely, que assina o roteiro em parceria com Nick Vallelonga (filho de Tony), se apropria da comédia (o motorista é um descendente de italiano, rude e sem modos mas com grande coração) para denunciar o racismo e a intolerância, infelizmente ainda muito presentes na sociedade norte-americana de hoje em dia.

 

O filme começa na casa noturna Copacabana, em Nova York, onde Tony trabalha como segurança e invariavelmente é convocado para apartar brigas e se livrar de fregueses inconvenientes. Naquela noite há uma grande confusão e os proprietários resolvem fechar a boate para reforma. Sem emprego até o retorno do Copacabana, Tony aceita qualquer trabalho para não deixar desamparada a família, a esposa Dolores (Linda Cardellini) e dois garotos. Por isso que ele se candidata ao cargo de motorista: na entrevista o músico logo pergunta se ele não teria problema de trabalhar para um negro. Tudo acertado, eles pegam a estrada rumo ao sul do país. Logo no início ficam evidentes as diferenças entre o pianista com formação clássica e o motorista valentão e iletrado; os atritos são inevitáveis.

 

No entanto, na medida em que a turnê avança ambos vão se conhecendo: Tony vê que Shirley é um exímio pianista (um gênio, segundo ele) e, por sua vez, o músico percebe que seu motorista é sensível e, acima de tudo, pode lhe ajudar como segurança pessoal durante a viagem. E ele vai precisar: se até então o preconceito não era tão ostensivo, ao chegarem aos estados sulinos, as situações de racismo beiram ao irracional. São desde cenas em que Shirley não pode nem experimentar um terno numa loja, a hotéis só para negros (Tony fica num hotel e o músico vai para uma espelunca qualquer) até o absurdo de camarins em depósito de materiais e locais em que o pianista não pode se alimentar junto aos frequentadores para quem ele irá se apresentar em seguida. As situações de intolerância, preconceito e racismo são aviltantes, imorais. E o mais terrível é que hoje, mais de 50 anos depois do período retratado no filme, o racimo nos EUA continua quase que da mesma forma!

 

Filme: Grenn Book - o guia, foto 3

Personagens vão do atrito ao entrosamento

 

Mais do que denunciar o racismo, o filme de Farrely — no próprio título há referência ao manual que orienta negros a se comportarem em regiões de supremacia branca — vai além. Com o entrosamento entre o músico e o motorista, a trama transmite um duplo ensinamento de vida: Tony ao vivenciar a dor causada pela discriminação revê seus valores e modifica suas atitudes; já o pianista, acostumado a se isolar para evitar atritos e sofrimento, torna-se mais sociável, amigo e aberto à própria cultura negra (a cena em que Shirley se apresenta no bar só frequentado por negros é emocionante!) Se ainda hoje, em pleno século XXI, o racismo, a intolerância e o preconceito não foram exterminados da sociedade, filmes como Green Book são imprescindíveis. Não perca!

 

 

 

Fotos: divulgação

Marcos Zaccharias Publicitário
Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
Uba

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