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Grupo Teatro da Travessia inicia intercâmbio de seis meses na França


Paulo Arcuri na peça 'dizer e não pedir segredo'

O grupo paulistano Teatro da Travessia está de malas prontas. Paulo Arcuri, Ligia Borges, Roberta Stein e Francisco Wagner, com uma bolsa de residência artística de seis meses parcialmente subsidiada pela Funarte, em parceria com as universidades Unesp (Brasil) e Université Paul-Valery Montpellier 3 (França), partem para a França nessa terça-feira, dia 30 de novembro, para desenvolver um projeto de pesquisa.
O objetivo do grupo é realizar um intercâmbio cultural: irão apresentar o espetáculo Dias Raros, baseado em contos do brasileiro João Anzanello, e ao mesmo tempo vão criar um espetáculo sob a orientação do diretor francês Philippe Goudard. A peça resultante dessa pesquisa será apresentada por lá e na volta por aqui. Acompanhe a seguir uma entrevista exclusiva com o ator Paulo Arcuri.

Favo do Mellone- Como surgiu o grupo Teatro da Travessia?

Paulo Arcuri- O grupo surgiu em 2006, de uma oficina ministrada pelo Grupo XIX de Teatro, na Vila Maria Zélia, aqui em São Paulo. Na ocasião, 20 ‘oficinandos’ trabalharam textos dramáticos e não dramáticos de Plinio Marcos, que resultou no exercício cênico “Eu era a carne, agora sou a própria navalha”. Nesta oficina, Francisco Wagner, Ligia Borges, Roberta Stein e eu nos conhecemos e nos identificamos acerca do fazer teatral. Daí surgiu a vontade de fazer algo juntos: despretensiosamente, buscamos na literatura a fonte de inspiração para o nosso trabalho. Foi quando conhecemos o autor brasileiro João Anzanello Carrascoza (vencedor do Prêmio Jabuti 2007 na categoria contos). Daí surgiu, além de uma amizade e parceria, o primeiro trabalho do Teatro da Travessia, Dias Raros, baseado em contos do livro homônimo do autor. A direção ficou a cargo de Luiz Fernando Marques, o mesmo diretor de dizer e não pedir segredo. (Veja resenha aqui no blog).

FM- E o projeto para irem estudar na França?

PA- Basicamente o projeto consiste num intercâmbio cultural envolvendo, de um lado, nós os atores do Teatro da Travessia e de outro, o diretor Philippe Goudard, mestre da Universidade Paul-Valery Montpellier 3 e que desenvolve ampla pesquisa sobre o burlesco e a relação do palhaço no teatro contemporâneo.

FM- Como esse intercâmbio vai acontecer?

PA- Durante os seis meses da bolsa, apresentaremos o espetáculo Dias Raros, já traduzido para o francês; montaremos também uma nova peça, sob a direção de Goudard, baseada em texto da literatura francesa. Esse trabalho, depois de traduzido para o português, será apresentado no Brasil. Ainda na Université Paul-Valery, o grupo ministrará uma oficina, tendo como base textos literários do Carrascozza. No nosso retorno em agosto de 2011, Goudard ministrará uma oficina aos atores brasileiros interessados.

FM- A estadia de vocês na França será muito agitada! Vai ser possível desenvolver outras atividades por lá?

PA- Iremos morar em Montpellier e, além de apresentar nossa peça, vamos estrear também o novo trabalho. A temporada lá será curtíssima, pois os prazos são bastante rigorosos. Porém, nada nos impede de voltarmos para a França para uma temporada mais tranquila depois de terminado o projeto aqui no Brasil.

FM- Você vai deixar a peça “dizer e não pedir segredo”: pretende retomar esse trabalho?

PA- Serei substituído no espetáculo pelo ator Daniel Vianna. Faz parte dos meus planos retomar esse trabalho, já que, depois de um longo processo de criação, participei apenas da temporada de estreia. Tenho um grande carinho por esta peça, que teve uma importância profissional e pessoal muito grande para mim.

Francisco Wagner, Ligia Borges, Roberta Stein e Paulo Arcuri em Dias Raros

Além de desejar muito sucesso ao grupo Teatro Travessia nessa temporada francesa, faço questão de agradecer ao Paulo por essa entrevista e que, tanto o público francês como o brasileiro, possam conhecer em breve essa pesquisa que funde o teatro e a literatura.

Foto de Paulo Arcuri:Adalberto Lima
Foto do grupo:Cacá Bernardes

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