Peça: Insones, foto 1

Insones: peça questiona a vida contemporânea e o caos em que vivemos

De em junho 25, 2018

Peça: Insones, foto 1

Elenco: Paulo Arcuri, Fernanda Raquel, Helena Cardoso e Vinícius Meloni

Assim como Pi- Panorâmica Insana, montagem de Bia Lessa em cartaz na cidade, outro espetáculo põe em cheque o modo de vida contemporâneo. Com dramaturgia de Victor Nóvoa e direção de Kiko Marques, Insones, que acaba de estrear no SESC Pinheiros, apresenta quatro personagens que não dormem há 365 dias e, num ambiente de festa, tentam comemorar a entrada do ano novo. No entanto, eles não conseguem manter qualquer vínculo afetivo — estão juntos, mas desconectados —, vivem de aparências e cultuam o consumismo desenfreado. Há neles também uma atração por cenas de violência e certo prazer em se agredirem.

Reflexo da sociedade contemporânea? Talvez esta seja a provocação do espetáculo: fazer com que o espectador pense sobre o caos em que estamos vivendo.

Peça: Insones, foto 2

Vestidos para o Réveillon, estão juntos, mas sem vínculo emocional

 

O público entra na sala e os quatro atores —Fernanda Raquel, Helena Cardoso, Paulo Arcuri e Vinícius Meloni — já estão sentados, inertes, num sofá imenso que toma todo o palco. O mote que inicia o espetáculo é a tentativa de fazer a contagem regressiva para a entrada do ano novo, mas algo insignificante interrompe o brinde. Isso acontece diversas vezes durante a trama. Os personagens, vestidos para uma festa de Réveillon, estão juntos, mas sem qualquer proximidade ou vínculo emocional.

 

“Sentados no sofá, seus corpos insones só criam vínculos que podem ser descartados. O que move é a visibilidade, o alcance midiático da afetividade e não a reverberação intrínseca do encontro efetivo com o outro”, define Victor Nóvoa.

 

 

Para a concepção do espetáculo, o grupo se baseou em duas obras de autores contemporâneos: 24/7- capitalismo tardio e os fins do sono, do norte-americano Jonathan Cray, e Sociedade do cansaço, do sul-coreano Byung-Chul Han. Daí a ideia de que dormir é profanar o capitalismo: quem dorme não consome, não produz. No programa da peça, as duas atrizes e o dramaturgo (responsáveis pela concepção da montagem) dizem que o objetivo foi criar um espetáculo que subverta “a tendência de pasteurização das relações humanas não penas em seu conteúdo, mas sobretudo na ética que o concretiza”.

Como os personagens são egocêntricos, os atores praticamente não contracenam, literalmente despejam os rancores, angústias, tristezas e desesperanças de seus personagens sobre os espectadores. E ao final, nem voltam para agradecer a plateia. Saí com a sensação de ter levado um soco bem dado no estômago, em virtude da aridez e da representação de uma sociedade tão virulenta e doentia como a que pertencemos. Impossível sair indiferente do teatro. O grande destaque da montagem é para a atuação visceral e contundente dos quatro atores e para a direção voltada ao trabalho da interpretação. Temporada curta, só até 21 de julho: vá preparado para assistir a um espetáculo provocativo.

Peça: Insones, foto 3

Sob direção de Kiko Marques, atores são viscerais em cena

Roteiro:
Insones
. Concepção: Fernanda Raquel, Helena Cardoso e Victor Nóvoa.  Dramaturgia: Victor Nóvoa. Direção: Kiko Marques.  Elenco: Fernanda Raquel, Helena Cardoso, Paulo Arcuri e Vinicius Meloni. Atriz substituta: Fani Feldman. Assistência de direção: Mateus Menezes. Cenografia: Eliseu Weide. Iluminação: Marisa Bentivegna. Figurinos: Ozenir Ancelmo e Ana T. Trilha sonora original: Carlos Zimbher. Direção de produção: Catarina Milani. Fotografia: Érica Modesto. Design Gráfico: Vertente Design.
Serviço:
SESC Pinheiros, Auditório 3º andar (98 lugares), Rua Paes Leme, 195, tel. 11 3095.9400. Horários: de quinta a sábado às 20h30. Ingressos: de R$ 25 a R$ 7,50. Bilheteria: terça a sábado das 10h às 21h; domingos e feriados das 10h às 18h. Duração: 55 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 21 de julho.

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