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Isso É o que Ela Pensa: um mergulho na mente feminina


Como Susan, personagem central da peça, Denise Weinberg vive mais um momento ímpar de sua premiada carreira

Ao entrar no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB/SP) o público já é surpreendido: parte das pessoas é encaminhada para o palco e o restante é conduzido ao balcão superior. Tive o prazer de sentar-me na pequena arquibancada montada no palco, como se fizesse parte do cenário do espetáculo. Tudo isto tem uma razão de ser: o público por quase dividir a cena com os atores, torna-se cúmplice do drama vivido por Susan, a personagem central de Isso É o que Ela Pensa, peça escrita em 1985 pelo dramaturgo britântico Alan Ayckbourn e pela primeira vez montada no país.
Após uma pequena queda no jardim de sua casa, Susan — brilhantemente interpretada por Denise Weinberg — começa a conviver entre a fantasia, em que ela cria uma família ideal e harmoniosa, e a realidade, em que os familiares são distantes, frios e egoístas.
Num primeiro momento, após os primeiros socorros, Susan domina a situação e sabe muito bem se conduzir entre a família de seus sonhos (todos com figurino branco) e a real, formada pelo marido Gerald (Mário César Camargo), um pastor nada sensual que se preocupa unicamente com a redação de seu livro sobre a história da paróquia, a cunhada Muriel (Clara Carvalho), que só pensa em manter contato com o marido falecido e o filho Rick (Eduardo Muniz), que entrou para uma seita e se nega a falar com os pais, além do médico trapalhão Bill (Mário Borges), único com quem Susan confessa ter alucinações. Mas com o passar do tempo, a mãe de meia-idade daquela família de classe média perde o controle e os familiares da sua imaginação começam a ter vida própria. Tanto a filha Lucy (Clarissa Rockenbach), como o marido Andy (Francisco Brêtas) e o irmão Tony (José Roberto Jardim) interferem na vida de Susan e ela entra em colapso.

Denise rodeada por todo o elenco do espetáculo

Mais do que sequela pela queda, Susan vive uma grande revolução interior, tendo de rever seus princípios de vida. Para Denise Weinberg, a peça incita a um questionamento sobre a existência humana:

“A religiosidade hipócrita, a falta de afeto e de amor são capazes de provocar graves transtornos psíquicos, paralisando o indivíduo, que é obrigado a se retirar do palco dessa vida supostamente real. E eu me pergunto: o que é real? O que é loucura? O que vemos é realmente o que vemos? Perguntas que me atormentaram e me atormentam desde sempre”, diz a atriz.

 

Por ter assistido a peça do palco, fiquei impressionado com a atuação e entrega de Denise ao drama da personagem; o público (quase no corpo a corpo com a atriz) tem a chance de constatar a transformação física e psíquica por que Susan é obrigada a passar. Mais um momento ímpar na carreira desta atriz premiadíssima. Outro destaque de Isso É o que Ela Pensa é para a direção e concepção cência de Alexandre Tenório, que dirigiu recentemente A Serpente no Jardim, também de Alan Ayckbourn.

Fotos: Ligia Jardim

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