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Lou&Leo: documentário cênico sobre o artista transexual Leo Moreira Sá

De em agosto 19, 2013

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Leo Moreira Sá atua e assina a dramaturgia da peça em parceria com Nelson Baskerville

Depois de ter assistido ao premiado espetáculo do diretor Nelson Baskerville — Luís Antonio – Gabriela — o artista transexual Leo Moreira Sá não teve dúvida: convidou o diretor para encenar o espetáculo que conta a sua tumultuada trajetória de vida. E Baskerville não teve receio em assumir este novo desafio: Lou&Leo, em cartaz no Espaço dos Satyros 1, traz sua marca como encenador:

“A história que Leo queria contar era novamente um Luís Antônio-Gabriela invertido. Não hesitei um só momento diante do convite: o espetáculo é mais um documentário cênico performático que me desafia. Um homem contando a própria história no palco. Uma vida rica. Um homem em um corpo feminino que desceu ao Hades e voltou para passar a experiência. Faço Lou&Leo para entender melhor o que é gênero, para entender melhor o humano e as mentiras que nós nos contamos como humanos”, confessa Nelson Baskerville.

Peça: Lou&Leo, foto 2

No palco, Leo divide a cena com Beatriz Aquino

Com uma narrativa ágil, com cenas que não obedecem à cronologia dos fatos, o espectador é fisgado desde a primeira cena para o centro da história trágica e sensível daquele ser humano. A trama é sobre Lou, uma garotinha que adorava brincar com os moleques em São Simão, interior do Estado, e sofre ao ter de se submeter ao pedido da mãe de colocar um vestidinho para ir à escola.
O choque cultural só aumenta ao se mudar para a capital e depois ao entrar para o curso de Ciências Sociais na USP, que abandonou para ser a baterista da primeira banda de punk rock feminina do Brasil, As Mercenárias. Com o cabelo curtíssimo o oxigenado, Lou confessa que este foi o período de maior liberdade artística que viveu até então.
Com o fim da banda, abre a casa noturna Circus e começa aí seu envolvimento com drogas. Internamente, vivia um conflito interior de identidade de gênero muito forte e as drogas eram um refúgio. Nesta época conhece a travesti Gabriela e a paixão é avassaladora: vivem juntas durante 10 anos, até a prisão de Lou por tráfico de entorpecentes. O horror e a violência vividos na cadeia marcam profundamente a vida de Lou, que ao sair assume sua transexualidade. Longe das drogas, a reconstrução de sua vida, agora como Leo, se dá pela arte: em parceria com Rodolfo Garcia Vazquez ganham o prêmio Shell de iluminação de 2012 pelo espetáculo Cabaret Stravaganza!

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Além da dramaturgia, Nelson Baskerville assina a direção e cenografia da peça

 

O espetáculo é envolvente, tanto pela narrativa construída de idas e vindas na trajetória da personagem como, principalmente, pela transformação interior e pelo processo de superação por que Lou/Leo se submeteu.
O grande destaque de Lou&Leo é sem dúvida para a atuação visceral de Leo Moreira, que conta com a parceria no palco de Beatriz Aquino: sua coragem e despojamento em cena são tocantes! E Nelson Baskerville mais uma vez traz seu olhar sensível e criativo para contar uma história comovente e ao mesmo tempo de denúncia contra a discriminação e a homofobia. Leo termina o espetáculo dizendo um texto de Simone de Beauvoir que sintetiza a proposta da montagem:

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

 

Fotos: Denise Braga


6 Comentários

Flaviano

abril 12, 2016 @ 10:51

Resposta

Belas travestis.

Maurício Mellone

abril 13, 2016 @ 17:34

Resposta

Flaviano,
obrigado pela visita.
O espetáculo do Leo foi maravilhoso!
abrs

sergio

agosto 24, 2013 @ 12:36

Resposta

Parabens Mauricio

Maurício Mellone

agosto 26, 2013 @ 11:56

Resposta

Bruno,
muito obrigado pela força!
bjs

Leo Moreira Sá

agosto 21, 2013 @ 12:43

Resposta

Eu sempre fui quem eu sou, me chamando Lou ou Leo…são meus “eus” em tempo/espaço diferentes. Em Lou&Leo conto minha história sobre o pano de fundo da minha transexualidade, mas o espetáculo fala de todas as “inadaptações sociais” que todo ser humano é obrigado a superar pra viver na nossa cultura heteronormativa. Fico emocionado quando pessoas de todas as idades, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero vem me abraçar e agradecer por eu ter compartilhado minha luta, derrotas e vitórias, tentando superar o meu conflito existencial. Lou&Leo não trás “verdades” mas questionamentos e reflexões, abrindo possibilidades de uma existência onde a “liberdade seja a nossa própria substância”.

Maurício Mellone

agosto 22, 2013 @ 11:55

Resposta

Leo,
Muito obrigado por sua participação aqui no Favo,
sinto-me muito honrado por isto!
Seu depoimento corajoso e tocante em cena realmente vai além de sua experiência
pessoal e particular. Toca e emociona o espectador justamente por propiciar
que olhemos o outro sem preconceito e discriminação.
Parabéns e sucesso para toda a equipe da peça “Lou&Leo”!
Bjs e muito obrigado

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