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Macbeth de Shakespeare sob o prisma de Gabriel Villela


Marcello Antony é o sanguinário Macbeth do clássico de Shakespeare

Já tendo dirigido Romeu e Julieta com o Grupo Galpão e mais recentemente Ricardo III, o diretor Gabriel Villela volta ao universo de William Shakespeare, desta vez para apresentar ao público sua versão para Macbeth, considerada a peça mais soturna do repertório do dramaturgo britânico. A montagem do texto, traduzido por Marcos Daud, estreou na semana passada no Teatro VIVO, permanecendo em cartaz até o final de julho.
Com rigor, Villela — que assina a adaptação do texto e a trilha sonora, além de ter criado o figurino em parceria com Shicó do Mamulengo —, imprime sua personalidade na montagem. Dos 20 personagens originais, ele adaptou para 8, interpretados somente por homens. Contou em sua equipe com a italiana Francesca Della Monica, que trabalhou a concepção de voz do espetáculo, com Babaya, responsável pela direção de texto e com Ernani Maletta que cuidou da musicalidade da cena, além da assessoria de três assistentes de direção, César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi. E o fundamental: o diretor nesta montagem prioriza o texto e a poética de Shakespeare.
Aos fãs de teatro, ter acesso a um clássico como Macbeth é sempre uma grande motivação: o enredo, amplamente difundido, provoca a curiosidade do público em saber como ele será conduzido. A trama, que revela o lado mais perverso e tirânico da alma humana, traz no início o jovem Macbeth como herói por ter liderado e vencido batalhas. Em recompensa, o rei Duncan, da Escócia, o condecora; no entanto, corroído pela ambição e instigado pela perversa mulher, ele cede a seu impulso homicida e mata o rei, assumindo o trono. A ganância e luta pelo poder dão início a uma sequência de crimes e assassinatos, culminando com a própria morte do monarca.

Claudio Fontana e Antony vivem o perverso casal Macbeth

Um dos diferenciais da montagem de Gabriel Villela que mais chama a atenção é a movimentação coreográfica dos atores; há uma espécie de traço imaginário em que os atores se movimentam em linha reta e quando falam permanecem com a mesma postura: um pé no chão e o outro só com a ponta do pé apoiada no piso. Lady Macbeth, que Claudio Fontana interpreta com brilhantismo, tem um passo característico: com uma túnica negra esvoaçante, ela desliza pelo palco.
O figurino também merece destaque: a indumentária de guerra foi confeccionada a partir de malas antigas de couro e papelão:

 

Ao mesmo tempo em que criamos um figurino que remete à guerra, buscamos fazer uma brincadeira lúdica em cima do conceito popular de transformar um objeto em outro, uma mala em uma armadura de guerra”, explica o diretor.

 

O cenário de Márcio Vinícius é outro destaque: dois teares justapostos formam uma grande torre, que se movimenta e assume papel central na narrativa cênica.

 

Antony, Rogerio Brito, Helio Cicero, Marco Furlan e Marco Antônio Pâmio

No entanto, o que sobressai em Macbeth de Gabriel Villela é a interpretação: os oito atores estão coesos e prendem a atenção do público desde a primeira cena. Marcello Antony defende o personagem central com maestria; Marco Antônio Pâmio (ver entrevista exclusiva concedida ao Favo), na pele de Banquo magnetiza a plateia, principalmente quando aparece para Macbeth e o aterroriza. Rogerio Brito, Marco Furlan e José Rosa, como as três bruxas, conseguem extrair humor e ironia de situações trágicas e ardis.

Fotos: João Caldas

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