Filme: Meu Amigo Hindu, foto 1

Meu Amigo Hindu: filme traz história de superação do próprio diretor

De em março 22, 2016

Filme: Meu Amigo Hindu, foto 1

Willem Dafoe e Maria Fernanda Cândido vivem o casal protagonista do filme de Hector Babenco

Sem qualquer viés melodramático, Hector Babenco leva para a tela sua história pessoal de luta contra um câncer. Em Meu Amigo Hindu, o foco central é para a trajetória do diretor de cinema Diego Fairman, interpretado pelo ator norte-americano Willem Dafoe, que ao saber que está com um câncer em fase adiantada resolve se submeter a um tratamento experimental nos EUA. Antes casa-se com Lívia, sua mulher de anos, vivida por Maria Fernanda Cândido, e despede-se dos amigos.
A sequência é no hospital norte-americano com uma rotina delicada e sofrida, culminando com o transplante de medula e todo o processo de recuperação. Durante o tratamento, Diego conhece um garotinho hindu que passa pelo mesmo drama das sessões de quimioterapia e eles tornam-se amigos e cúmplices.

Filme: Meu Amigo Hindu, foto 2

Em tratamento de câncer, Diego (Dafoe) ganha um cúmplice, o garoto hindu

Diego é o alter ego do diretor argentino, naturalizado brasileiro, Hector Babenco: o público é avisado logo no início com os dizeres “o que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei” . A trama, portanto, começa no Brasil — o que causa estranheza, com todo o elenco falando inglês, inclusive os personagens que interpretam os empregados da casa. No entanto, como a história é centrada no drama da doença e tudo o que ela provoca na vida do paciente, o idioma, passadas as primeiras cenas, deixa de ser um inconveniente.
O cotidiano no hospital, com todas as interferências e o quadro oscilante do estado de saúde de Diego deixa o espectador apreensivo — Willem precisou emagrecer muito para as filmagens no hospital. Outra tensão da trama é sobre as condições para que o transplante se realize: a única pessoa compatível para ser o doador de medula é Antonio (Guilherme Weber), o irmão de Diego: eles não se falam há anos e Antonio exige uma quantia alta para se submeter à cirurgia.
Porém, o roteiro (também assinado por Babenco) traz alguns alívios. Enquanto dorme, Diego recebe a visita de um personagem enigmático e bem humorado, interpretado por Selton Melo; na primeira vez, Diego o expulsa do quarto, mas no segundo encontro o rapaz confessa que sua missão é levá-lo. Diego e a morte começam a se entender, tanto que jogam xadrez, num tom amigável. Outra passagem que destoa do clima pesado de doença é o encontro entre Diego e um garoto hindu, que justifica o título do filme. Por mais contraditório que possa parecer ambos dividem a sala de quimioterapia e aos poucos Diego, ao contar histórias de aventuras, conquista o garoto que passa a ser seu aliado nas fantasias que relata.

Filme: Meu Amigo Hindu, foto 3

Bárbara Paz vive a atriz, que traz novos ares ao cineasta

O processo de recuperação de Diego é longo, que inclui uma reavaliação profunda de sua vida. Ele não consegue manter o casamento com Lívia, a mãe, vivida por Denise Weinberg, fica magoada com a maneira rude com que é tratada pelo filho e ele se vê só e obrigado a refazer seu cotidiano. É neste momento de reciclagem que ele conhece Sofia (Bárbara Paz), uma atriz que lhe traz ares revigorantes (a cena em que ela nada na piscina e em seguida dança na chuva, numa referência ao clássico Cantando na chuva, é impactante!)
Por mais que o personagem seja egocêntrico e um tanto insensível, Diego/Babenco passa por uma transformação brutal provocada pela doença e é obrigado a rever conceitos e princípios. As citações a clássicos do cinema universal (Felini, Bergman, o Gordo e o Magro) contribuem para o lirismo de Meu Amigo Hindu, que poderia ter sido rodado sem referências explícitas ao Brasil (vários personagens no início sem função na trama). No entanto, a trama emociona. Confira.

Fotos: divulgação

Uba
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