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Morte Acidental de um Anarquista: comédia de Dario Fo com Dan Stulbach


Peça: Morte Acidental de um Anarquista, foto 1

Dan Stulbach vive o Louco na peça do dramaturgo italiano

Umas das peças mais encenadas pelo mundo do dramaturgo italiano Dario Fo, Morte Acidental de um Anarquista, acaba de estrear no Teatro Porto Seguro com Dan Stulbach à frente do elenco. Sob direção de Hugo Coelho — que também assina a dramaturgia e a iluminação, a peça é baseada num fato real acontecido em 1969, na Itália, e que Dario Fo transformou numa grande comédia: depois de dois ataques a bomba em Roma, quatro anarquistas são presos sob suspeita do atentado; um deles é encontrado morto e a versão oficial é que ele se suicidou (uma morte acidental). A trama satiriza exatamente a versão oficial dada à morte do anarquista. Este tipo de ‘suicídio’ é muito comum, principalmente em países com governantes totalitários (aqui em São Paulo, durante a ditadura, o caso do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências da polícia, ficou famoso). Mesmo se tratando de um caso de horror, a morte de uma pessoa que estava sob os cuidados de autoridades, o autor torna tudo engraçado e ridiculariza os policiais.

Peça: Morte Acidental de um Anarquista, foto 2

Dan divide a cena com Henrique Stroeter e Riba Carlovich

O tom descontraído da montagem já começa no saguão, em que o público é recepcionado pelo elenco, que toca uns instrumentos e conduz os espectadores para a sala de espetáculo; já no palco, Henrique Stroeter explica o porquê da encenação e Dan Stulbach faz um resumo da trama, deixando a plateia ainda mais integrada à comédia. Ao começar, o Louco (papel de Dan) está num departamento policial e é interrogado pelo comissário (Fernando Sampaio). O Louco, que foi internado16 vezes em manicômios, já se passou por médico, engenheiro, psiquiatra e tem a chance de mais um papel: será o juiz encarregado de reavaliar o processo da morte do anarquista. Para isso ouve o delegado (Stroeter) e o secretário de segurança, vivido por Riba Carlovich. Durante a reconstituição da investigação da morte, uma jornalista (Maira Chasseraux) chega para uma entrevista com os policiais e o Louco pode interpretar novos papéis, deixando a situação ainda mais hilária, pois os policiais não sabem como manter a versão oficial de suicídio do anarquista, ou a morte acidental!

Com improvisos e citações da realidade brasileira atual — a infinidade de escândalos por que vivemos nos últimos anos —, a peça parece escrita especialmente para os brasileiros:

“É impressionante como a peça ainda é atual, 45 anos depois de escrita. É como se Dario Fo estivesse falando do Brasil dos dias hoje. Com uma farsa, o autor nos brinda com um texto brilhante. O que fizemos foi tirar as referências que faziam sentido só aos italianos e situações dos anos 1970. A história na nossa montagem está intacta. O próprio Fo a cada remontagem da peça fazia modificações”, explica o diretor Hugo Coelho.

 

Peça: Morte Acidental de um Anarquista, foto 3

O delegado vivido por Henrique é ridicularizado pelo Louco (Dan)

Com direção de Antônio Abujamra, Antonio Fagundes viveu o Louco na montagem de Morte Acidental de um Anarquista, em 1982. Assim como da primeira montagem brasileira, o personagem central chama para si todas as atenções do público e Dan Stulbach está seguro em cena e domina perfeitamente o timing da comédia; seus companheiros em cena, Henrique Stroeter, Riba Carlovich e Fernando Sampaio, contribuem muito para deixar o espetáculo ainda mais cômico e hilariante. Destaque também para a participação do músico Rodrigo Geribello, que além de pontuar a trama, faz efeitos especiais com a boca de deixar o espectador admirado.

Comédia leve e que faz o público refletir sobre a realidade brasileira atual. Confira, a peça fica em cartaz até 10 de dezembro.

 

 

 

Fotos: João Caldas

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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