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Multiartista Hugo Possolo lança primeiro livro de poesias, Excêntrico


Livro Excêntrico de Hugo Possolo

Capa do livro Excêntrico de Hugo Possolo, editado em parceria pela Giostri Editora e Espaço Parlapatões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adorei poder conhecer mais uma faceta do múltiplo artista que é Hugo Possolo. Seus artigos publicados na imprensa e, principalmente, suas obras teatrais (em que não só atua, como escreve, dirige e participa de todas as etapas de produção) fazem sucesso há muito. No entanto, sua veia poética é pouco conhecida, tanto que o próprio autor confessa:

 

“O diálogo da poesia escrita conversa com um interlocutor, muitas vezes, distante. Dificilmente o autor conhecerá seu leitor e suas reações. Daí que resisti muito tempo em publicar meus poemas. Eles são um registro, um diário de metáforas que se cansaram de ficar guardadas”, diz Hugo Possolo.

 

E que bom que estas metáforas chegaram ao público. Numa parceria entre a Giostri Editora e o Espaço Parlapatões, Possolo acaba de lançar seu primeiro livro de poesias, Excêntrico, que traz na ‘orelha’ as palavras de entusiasmo do escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva: “Agora na poesia, Hugo estende um braço para o leitor e nos faz parar para pensar na riqueza da alma humana, nas dores e humores”.
O prefácio é assinado pelo poeta Marcelino Freire que sentencia:

“Aqui tem. De tudo um tanto. Poesia para o ovo. Poesia para o povo. Para Deus e o Diabo. Para o macho e para o viado. Várias caras tem Hugo Possolo. De quem sou fã. Faz tempo. Do seu talento. Múltiplo.”

O palhaço Hugo Possolo

O palhaço Hugo Possolo mostra pela primeira vez ao grande público suas poesias

Quis utilizar as palavras do Marcelo e do Marcelino exatamente porque é muito difícil resenhar um livro de poesia. Elas falam por si mesmas! E também porque Hugo, mesmo em sua primeira edição de poemas, já se mostra um poeta mais do que maduro. Mais do que dominar a métrica, ele se mostra por inteiro, como se estivesse no palco, seu habitat natural. A veia cômica do palhaço fica explícita no poema Atitudes:

“Se a gente chega/
no meio da rua/
e bota um ovo,/

é chamado de louco,/
não de galinha.”

 

O editor Alex Giostri explica que a familiaridade de Possolo com a poesia vem de longa data, mesmo que desconhecida do grande público: “Foi a poesia que o aproximou do teatro, ainda na juventude, quando participou de movimentos poéticos e de publicações alternativas”.  Daí a profundidade de sua verve no poema que dá nome ao livro e que ele dedica à filha:

 

 

“Confie nos teus filhos, sempre. Confie./

Não confie em mim./
E não te vendas./
Negócio é coisa de quem confia. Não confie, não negocie./
Não confie em nada que esteja no centro, centrado, definido ou focado./

Desconfie dos que não confiam em nada./
E, principalmente, não confie em si./
Desconfie tanto de você mesma,/
mas tanto, que possa ter certeza/
de estar sendo honesta consigo./

E isto já basta.”

 

 

E a larga experiência como palhaço fica também refletida nos poemas. Além, do poema Excêntrico (que é uma das funções do arquétipo do palhaço), ele escreve ainda sobre o Trapézio e o Atirador de Facas:

 

“A menina fecha os olhos de seu coração certeiro,/
E o homem atira a faca./
Na falta de gesto,/

A sombra,/
o barulho seco.”

 

Poderia ficar aqui citando diversos poemas. Mas o melhor mesmo é aguçar a sua curiosidade para ir mais fundo no universo poético do palhaço.
Hugo, não se reprima mais: a reação do leitor aos teus poemas é a mesma do espectador de teatro, só aplauso e mais aplausos! Que venham outros poéticos livros!

“O poema é o/
sentimento/
tiro,/
a dor/
rajada,/
o corte branco,/
a luz, a tinta./

O poema é o papel”

 

 

Fotos: divulgação

 

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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2 Comentários para “Multiartista Hugo Possolo lança primeiro livro de poesias, Excêntrico”

  1. Nanete Neves Says:

    Depois de ler esse livro eu concordo tanto contigo, Maurício, que fico perplexa pelo fato do Hugo/poeta ser tão pouco conhecido. Para exemplificar, destaco dois trechos do poema “Meninos” (que ele dedicou a Branco Mello):
    “Os meninos quando choram, disfarçam/ e seus olhos caem no chão./
    [...]
    Olhos que não estão presos a nada,/ bolas soltas voando/ e espalhando água e sal no chão.]
    Fiquei feliz em ver que ele teve no teu blogue o espaço merecido.

    beijão

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Nanete:
      O Possolo é muito conhecido como palhaço e articulador do grupo Parlapatões.
      Infelizmente o lado poético deste artista múltiplo é desconhecido do grande público.
      Agradeço muito seus elogios, tentei suprir esta lacuna e mostrar a veia poética deste
      incrível poeta-palhaço!
      bjs e obrigadíssimo pela valiosa e sensível participação!

      responder

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