Peça: Nise da Silveira - Guerreira da Paz, foto 1

Nise da Silveira – Guerreira da Paz: peça reverencia a psicanalista

De em fevereiro 24, 2016

Peça: Nise da Silveira - Guerreira da Paz, foto 1

Daniel Lobo responde pela dramaturgia, direção e interpretação da peça

Depois de cinco anos e do sucesso da premiada peça Nise da Silveira- Senhora das Imagens, Daniel Lobo retorna à história e ao legado da psicanalista alagoana em nova encenação. Na primeira montagem a atriz Mariana Terra era a protagonista, mas desta vez Daniel, que assina a concepção geral e a direção do espetáculo, responde também pela interpretação de Nise da Silveira – Guerreira da Paz, em cartaz no MASP. Em entrevista exclusiva ao Favo do Mellone, o diretor enfatiza que não fez uma remontagem:

 

“Gosto de dizer que este é um novo espetáculo, uma nova encenação, em que incluí um prólogo, um epílogo e deixei tudo mais poético e com a espiritualidade latente. Senti necessidade de retomar o legado de Nise da Silveira. No palco somos o canal para evocar a história de vida dela”, explica Daniel Lobo.

Peça: Nise da Silveira - Guerreira da Paz, foto 2

O ator ora é o narrador da trama ora encarna Nise no palco

O espetáculo multimídia — que une teatro, vídeo, música e dança — envolve o público numa atmosfera mística. Ao entrar no grande auditório do MASP o público já encontra o ator em cena, pintando quadros, em alusão aos pacientes que Nise da Silveira atendia no setor de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio, nas primeiras décadas do século XX. O método da psicanalista revolucionou o tratamento de esquizofrenia: ao invés de eletrochoque, Nise fazia com que seus pacientes liberassem a imaginação diante de telas e tintas (ela criou o Museu de Imagens do Inconsciente com os trabalhos dos pacientes /artistas).
Contando com a coreografia de Ana Botafogo e a trilha sonora de João Carlos Assis Brasil, Daniel relata a trajetória de vida da psicanalista de Alagoas, desde a decisão de vir para o Rio de Janeiro, seu ingresso na instituição pública onde entrou em conflito com os dirigentes da época, seu envolvimento político e a prisão durante a ditadura de Getúlio Vargas, até seu trabalho com os pacientes no ateliê de artes e seus últimos anos de vida. Na montagem, Daniel vive tanto o narrador como a própria Nise (bela composição, com mudanças de postura e voz para interpretar uma senhora de 94 anos).
Outro destaque da encenação é a projeção de um vídeo, com depoimentos do poeta Ferreira Gullar e do diretor teatral José Celso Martinez Corrêa sobre a psicanalista e sua importância para a evolução do tratamento psiquiátrico no país. A Monja Cohen também tem uma participação fundamental no vídeo, reproduzindo falas do psicanalista Carl Gustav Jung e interpretando o poema A Voz do Inconsciente, do ator. Questionado sobre a decisão de interpretar Nise, ele é incisivo:

 

“Foi um grande desafio que tive de enfrentar ao assumir esta missão de ser a Nise no palco. A encenação é um jogo de máscaras em que ora revelo Nise, ora a desnudo para me projetar na primeira pessoa para colocar o espectador frente a frente a seu espelho e fazê-lo mergulhar na sua loucura, no seu inconsciente”, explica Daniel Lobo.

 

Peça: Nise da Silveira - Guerreira da Paz, foto 3

Daniel imprimiu um tom poético e místico à encenação

 

 

 

Depois da estreia em Florianópolis/SC, onde o ator carioca reside hoje, a peça Nise da Silveira – Guerreira da Paz cumpriu temporada em Porto Alegre/RS, Salvador/BA, interior paulista e fica até 17 de abril no MASP. O espetáculo dura 95 minutos (poderia ser mais enxuto), mas o público se emociona e participa com entusiasmo dos debates depois da apresentação.

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Maristela Giassi.


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