Filme: O Grande Circo Místico, foto 1

O Grande Circo Místico: filme de Cacá Diegues da obra de Jorge de Lima

De em novembro 28, 2018

Filme: O Grande Circo Místico, foto 1

Bruna Linzmeyer, Jesuíta Barbosa e Vincent Cassel lideram elenco da trama sobre saga circense

Depois do imenso sucesso da montagem de Naum Alves de Souza para o Balé Teatro Guaíra, de Curitiba/PR, na década de 1980 — misto de balé, teatro, ópera, circo e poesia que se apresentou por diversas capitais do país—, O Grande Circo Místico, poema do alagoano Jorge de Lima, publicado em 1938 no livro A túnica inconsútil, chega ao cinema pelas mãos do também alagoano Cacá Diegues. Assim como no teatro, o filme é conduzido pelas belíssimas canções compostas especialmente para o espetáculo por Chico Buarque e Edu Lobo.

A trama percorre os 100 anos de existência do Grande Circo Knieps, a saga familiar de cinco gerações. Quem dá início a tudo é Fred (Rafael Lozano) que se envolve com a trapezista Agnes (que adotou o nome de Beatriz), papel de Bruna Linzmeyer. O rapaz é filho bastardo de um médico famoso (participação de Antonio Fagundes) com uma Imperatriz (Catherine Mouchet) e como só fica sabendo disto após a morte do pai, pede à verdadeira mãe um circo como herança. É desta forma que tem início a dinastia circense dos Knieps.

Filme: O Grande Circo Místico, foto 2

A trapezista Beatriz (Bruna) encanta a plateia com seus números

Em formato de fábula, a história é narrada pelo mestre de cerimônia Celavi, interpretado por Jesuíta Barbosa, que não envelhece (apenas se adapta aos períodos da trama) e passa por todas as gerações e fases do circo, do auge do início à decadência final. A cena da trapezista Beatriz, acompanhada da canção que leva seu nome na voz de Milton Nascimento, marca o apogeu do circo, que mantinha um elenco grandioso, com palhaços, mágicos, músicos, bailarinos, acrobatas e números com animais. Grávida, Beatriz sofre um acidente em pelo picadeiro e o próprio Fred consegue fazer o parto da garotinha Charlotte, mas a mãe não sobrevive. Já adulta Charlotte (Marina Provenzzano) se casa com o mágico Jean-Paul (Vincent Cassel) e eles têm dois filhos Oto e Marie.

No entanto, adultos, somente Oto, vivido por Juliano Cazarré, permanece no circo; ele se envolve com a cantora Lily Braun, que tinha o ventre tatuado, e deste romance nasce Margarethe, vivida por Mariana Ximenes; ela quer entrar para o convento, mas o pai proíbe. Como a mãe, Margarethe tatua no ventre a via sacra e seu marido Ludwig (Dawid Ogrodnik) nunca a possui; entretanto, ela foi violada pelo homem ferra e assim dá à luz gêmeas (Marie e Hèlene), que na adolescência se tornam bailarinas voadoras. Elas se apresentam nuas, para deleite de uma plateia masculina e cínica. As gêmeas constituem, assim, a quinta geração de artistas do Grande Circo Knieps.

 

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Mariana Ximenes vive Margarethe, da 4ª geração do circo

 

Graças à trilha sonora e à bela fotografia de Gustavo Hadba, o filme plasticamente encanta. No entanto, o roteiro apresenta falhas de condução da trama: as diferentes fases do circo — do sucesso inicial à decadência financeira e artística do final —, não recebem a devida atenção; o espectador mal percebe as mudanças de épocas e pode se confundir, já que o mestre de cerimônia não envelhece (está sempre ao lado dos diversos descendentes de Fred e Beatriz).

 

 


O Grande Circo Místico
é o representante do Brasil no Oscar/19 de filme estrangeiro; a lista final com os cinco escolhidos será conhecida em janeiro. A nós basta torcer. Como aperitivo, fique com clipe de Beatriz, na voz de Milton Nascimento:

 

Fotos: divulgação 


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