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O Quarto Estado da Água: peça reflete sobre a masculinidade hoje


Peça: O Quarto Estado da Água, foto 1

Kiko Pissolato , Anderson Di Rizzi e Herbert Richers Jr. protagonizam espetáculo da Cia Pau d’arco de Teatro

Tendo como mote uma descoberta científica divulgada no ano passado de que a água pode assumir outro estado além dos já conhecidos (sólido, líquido e gasoso), a Cia Pau d’arco de Teatro acaba de estrear no Top Teatro o espetáculo O Quarto Estado da Água. Com dramaturgia de Flavio Cafiero e direção de Bia Szvat, a trama começa com três homens, interpretados por Anderson Di Rizzi, Kiko Pissolato e Herbert Richers Jr, que abandonam uma festa de Réveillon num prédio e sobem até a laje para tomarem um ar. Lá, num jogo dramático de memória em que se entrelaçam momentos do presente, do passado e do futuro, eles fazem uma profunda reflexão sobre o papel do homem na sociedade contemporânea, justamente neste momento em que as mulheres estão cada vez mais atuantes e reivindicando direitos iguais.

 

“Quero abordar os detalhes e sutilezas do homem contemporâneo e as construções da nova masculinidade, mas sem julgamentos e conclusões. O resultado do nosso trabalho é um espetáculo atraente, uma comédia feita com humor corrosivo, diálogos bem esculpidos, além de muita musicalidade, tempos de reflexão para todo mundo que busca algum frescor na forma de se fazer teatro”, diz a diretora Bia Szvat sobre a montagem do grupo.

Peça: O Quarto Estado da Água, foto 2

Herbert, Kiko e  Anderson se dividem em todos os personagens

Os atores já estão em cena quando o público entra: na laje do prédio, eles caminham e fazem movimentos como se quisessem saltar de lá. Talvez uma metáfora sobre a situação do homem contemporâneo, que precisa abandonar velhos clichês, precisa sair de uma situação até então cômoda, frente às mudanças da mulher e o avanço que conquistaram. Mas a montagem em momento algum entra em conflito com o feminismo, pretende mesmo é questionar a masculinidade nos dias atuais. Para isto os três personagens discutem questões entre pai e filho, questões sobre o momento em que o filho passa a ser pai, além de situações vividas em todas as fases de crescimento deste homem. E o interessante da proposta da diretora é que não há papel fixo para os atores, os três se dividem em todos os personagens. Outro grande atrativo do espetáculo é a perfeita simbiose entre cenografia, iluminação, atuação e dramaturgia: são três atores, três músicos, três pontos de luz e, os sacos de água suspensos sobre o espaço cênico, estão dispostos de três em três. O mote dramático é exatamente sobre os três estados da água e a possibilidade de haver um quarto, que vai provocar uma revolução na ciência e no modo de se ver o mundo. E é neste contexto que o homem precisa se questionar, se rever.

A dramaturgia também foi criada de maneira coparticipativa: a partir de experimentos realizados com os atores, Flavio Cafiero apresentava proposições, que eram trabalhadas pela diretora em cena e tudo voltava para o dramaturgo reelaborar o texto, num processo de retroalimentação da criação.

Peça: O Quarto Estado da Água, foto 3

Dramaturgia de Flavio Cafiero, peça é dirigida por Bia Szvat

 

O espetáculo envolve o espectador, que é incitado a refletir sobre as questões propostas. A montagem me surpreendeu e me cativou graças à sintonia de todos os elementos envolvidos na produção, desde dramaturgia, direção, cenário, iluminação, trilha sonora, figurino até a emocionante atuação de Kiko Pissolato, Anderson Di Rizzi e Herbert Richers Jr. Um comovente espetáculo, que permanece em cartaz até junho. Não perca!


Roteiro:

O Quarto Estado da Água. Dramaturgia: Flavio Cafiero. Direção: Bia Szvat. Elenco: Anderson Di Rizzi, Kiko Pissolato e Herbert Richers Jr. (stand-in: Francisco Zaiden).  Músicos: Thayna Oliveira, Ricardo Venturin e Gerson Silva Jr. Direção musical: Fabio Cintra. Design de luz: Cesar Pivetti e Vânia Jaconis. Cenografia: Luiza Curvo. Figurinista: Fabiano Menna. Designer gráfico: Pietro Leal. Fotografia: Pedro Bonacina. Produção: Andreia Porto.
Serviço:
Top Teatro (100 lugares), Rua Rui Barbosa, 201, tel.: 11 2309-4102. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: R$ 50 e R$ 25. Bilheteria: abre uma hora antes do início do espetáculo.Venda: www.aloingressos.com.br. Duração: 60 min. Classificação: 14 anos.Temporada: até 18 de junho.

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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