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O Som ao Redor: mais um ótimo representante do cinema de Pernambuco


Filme: O Som ao Redor foto 1

Irma Brown, W.J.Solha e Gustavo Jahn em cena do filme de Kleber Mendonça Filho

Depois do excelente A Febre do Rato, de Cláudio Assis, outro filme de Pernambuco acaba de estrear na cidade e mostra o vigor do cinema produzido no Nordeste brasileiro. O ex-crítico de cinema Kleber Mendonça Filho não só dirige O Som ao Redor, como é o responsável pelo roteiro e montagem, além de dividir o desenho de som com Simone Dourado. Num retrato de um bairro de classe média de Recife, o filme mostra de maneira sutil o cotidiano de seus moradores, como eles vivem e a mudança que ocorre na rotina de vida de cada um deles com a chegada de um grupo de seguranças particulares, contratados para minimizar a onda de violência e roubos da região.

Filme: O Som ao Redor foto 2

João (Gustavo Jahn) e Sofia (Irma Brown) visitam um imóvel que está à venda

Com elenco essencialmente de Pernambuco, a trama de O Som ao Redor  se desenvolve sem grandes arroubos e as ações fluem naturalmente: o espectador é conduzido paulatinamente à vida de cada núcleo familiar. O corretor João (Gustavo Jahn) contribui para este passeio, já que é por meio de seu trabalho que vem à tona o que se passa por trás de cada residência. Os imóveis de praticamente todo o bairro pertencem ao misterioso personagem Francisco, avô de João e que é uma espécie de coronel urbano — controla tudo o que acontece na redondeza. Francisco, interpretado por W.J.Solha, é um dos primeiros que questiona a chegada dos seguranças, mas Clodoaldo (Irandhir Santos), o chefe deles, logo esclarece tudo e o serviço 24 horas de vigilância é iniciado. Bia (vivida por Maeve Jinkings) é uma dona de casa, mãe de dois filhos, que chama a atenção por odiar os cães dos vizinhos e passa toda a trama para se livrar deles.
Como o fio condutor do filme é tênue, o espectador menos atento pode estranhar a falta de ação ou nexo entre os personagens. Mas aos poucos se percebe a radiografia que é construída, tanto daquele bairro como do mundo interior de cada personagem ali retratado. E aí está a chave do roteiro: fala-se de um bairro de Recife, mas poderia se tratar de um bairro de qualquer cidade do mundo. O desfecho é surpreendente e pode deixar o espectador atônito: serão necessários alguns instantes para chegar à conclusão do que realmente aconteceu no último take.

Filme: O Som ao Redor foto 3

Seguranças particulares contratados para minimizar a onda de assaltos; Irandhir Santos, ao centro, é o chefe deles

Além do roteiro peculiar e muito bem articulado, o grande destaque de O Som ao Redor é para a sintonia entre os atores; no entanto as atuações do veterano W.J.Solha, de Maeve Jinkings e de Irandhir Santos sobressaem. Irandhir já havia me chamado muito a atenção graças à sua espetacular interpretação para o poeta vivido em A Febre do Rato.

Fotos: divulgação

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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2 Comentários para “O Som ao Redor: mais um ótimo representante do cinema de Pernambuco”

  1. Imad Says:

    Oi, Maurício! Também assisti ao filme e concordo que os atores estão muito bem. Vi o Irandhir domingo, na rua, e o cumprimentei pelo bom desempenho. Interessante o filme falar da paranóia por segurança, a que quase todos, enfim, estamos sujeitos. Filme familiar por abordar temas comuns a qualquer destino humano.

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    • Maurício Mellone Says:

      Imad:
      O Irandhir é fabuloso! Em A Febre do Rato é surpreendente a atuação dele!
      Gostei do roteiro de O Som… e o final é inesperado (muito espectador desavisado
      pode não entender).

      Bjs e novamente obrigado por sua agradável presença constante por aqui!

      responder

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