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O Topo da Montanha: peça revela lado humano do reverendo Luther King


Peça: O Topo da Montanha, foto 1

Lázaro Ramos, que divide a direção com Fernando Philbert, é o pastor King e Taís Araújo a camareira Camae

Depois do sucesso no final do ano passado, a segunda temporada da peça O Topo da Montanha, em cartaz no Teatro FAAP, está prestes a acabar — só até o dia 28 de fevereiro. Quem ainda não assistiu que se apresse: o espetáculo é emocionante e traz o casal Lázaro Ramos e Taís Araújo em grandes atuações!
A peça da dramaturga norte-americana Karoti Hall, com tradução de Sílvio Albuquerque, se passa no dia 3 de abril de 1968, no interior do quarto 306 de um hotel em Memphis, logo após Martin Luther King, vivido por Lázaro, ter proferido seu derradeiro discurso — o pastor protestante e ativista político que se tornou ícone por sua luta contra a segregação racial norte-americana foi assassinado na sacada deste hotel nas primeiras horas do dia 4.
Sem cigarros e querendo tomar um café, o pastor pede os serviços do hotel e quem vem servir-lhe é a camareira Camae (Taís), que com seu jeito simples e ao mesmo tempo direto lembra ao pastor que ele é homem, com desejos e aspirações pessoais também, além de seus ideais. Este encontro será definitivo para a vida de ambos.

Peça: O Topo da Montanha, foto 2

Lázaro e Taís estão em perfeita sintonia em cena

Ao entrar na sala de espetáculo, os espectadores são recepcionados pelos atores, que fazem questão de cumprimentar a todos; Lázaro (que assina a direção em parceria com Fernando Philbert) justifica o carinho, dizendo que é para o publico já se inteirar do clima da peça, que trata essencialmente de afeto.
Além de bonita, a camareira não se intimida diante do reverendo e com ironia consegue ressaltar o lado humano do pastor. Eles logo se entendem e com esta aproximação é que Camae sente-se no direito de subir na cama e proferir um discurso totalmente oposto ao do Sr. King, em defesa da violência para combater o racismo. O pastor, mesmo discordando do tom da fala da camareira, chega a rever algumas posições e confessa seu medo diante de tanta violência e discriminação. O desfecho da trama é de extrema emoção, com a projeção num painel ao fundo do palco com os principais acontecimentos e vultos históricos que lutaram pelo fim da segregação racial no mundo, incluindo alguns negros brasileiros de grande importância neste contexto.

“Este texto é contemporâneo porque é uma história também sobre como enfrentar medos, sobre os trilhos da coragem e do afeto. Quisemos mostrar um grande líder que, prevendo a morte, se viu com medo, diante de suas fragilidades”, explica Lázaro Ramos.

 

Peça: O Topo da Montanha, foto 3

Assim como na TV, casal repete sucesso no palco

 

 

Além de uma história comovente, O Topo da Montanha se destaca pelo perfeito entrosamento e sintonia em cena de Lázaro e Taís, ambos com cenas finais de um vigor e uma tensão emocional incríveis! A estrutura móvel que delimita o cenário, assinado por André Cortez, e a iluminação de Valmyr Ferreira, contribuem para o clima onírico da montagem (como se tempo parasse para que o reverendo pudesse refletir sobre sua existência).
Outro dado peculiar e de significado fundamental é que Lázaro e Taís conseguem atrair para a plateia um grande contingente de negros, o que infelizmente ainda é raro de se ver nas salas de espetáculos. Que este dado passe a ser constante a partir de agora!

 

 

Fotos: Jorge Bispo

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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