Peça: Pedras azuis, foto 1

Pedras Azuis: peça retrata seca do NE e a dureza das relações humanas

De em setembro 12, 2017

Peça: Pedras azuis, foto 1

Neto Mahnic, Annelise Medeiros e Emanuel Sá protagonizam peça de Marcio Macena ambientada numa cidadezinha nordestina

Como o próprio autor e diretor de Pedras Azuis comenta na entrevista exclusiva que concedeu à TV MELLONE, que o ocorrido com a personagem da peça em breve seja apenas história. Mas infelizmente o machismo, a violência doméstica e o estupro a mulheres ainda acontecem diariamente no país inteiro. Daí a necessidade de se denunciar toda e qualquer atitude violenta contra a pessoa humana.
O espetáculo que cumpre temporada no Viga Espaço Cênico foca a difícil situação da família de Antero e Diana, interpretados por Neto Mahnic e Annelise Medeiros, que sofrem com a seca e sobrevivem com o transporte de água que Antero faz com seu caminhão pipa. Mas a prefeitura local assume este serviço e eles têm de descobrir outra forma de sustentar os quatro filhos. Será que a alternativa escolhida é a mais adequada? Que consequências esta decisão trará ao futuro desta família? E a que custo?

Peça: Pedras Azuis, foto 2

Diana (Annelise) sofre violência do marido e de Livio (Emanuel)

A peça começa na véspera da festa da padroeira da cidade vizinha a Pedras Azuis e Diana prepara as asas de anjos que os filhos irão usar na procissão. Já nos primeiros diálogos de Antero e Diana, o espectador percebe que tipo de relação eles mantêm, ou seja, o autoritarismo, o machismo e a submissão da mulher são a tônica entre o casal. Como ele é avesso à religião, no dia seguinte só os dois permanecem na cidadezinha, os demais moradores foram para a festa. Mas Diana ao acordar dá pela falta do marido, que volta apressado e exige que ela diga que eles não saíram de casa nem um minuto.
Passado um tempo, o casal recebe a visita de Livio, vivido por Emanuel Sá, um técnico de São Paulo que está assessorando o novo serviço de entrega de água na região. Depois de uma conversa amena, ele conta que houve um incêndio no vilarejo que destruiu o novo caminhão pipa e que Antero precisa retomar seu antigo serviço. O homem parte para a empreitada e Diana é encarregada de mostrar a propriedade ao visitante. Na verdade, Livio tem outras intenções ao ficar sozinho com a dona da casa. A ingênua e frágil Diana — será mesmo que ela é frágil? — nem imaginava que estava em suas mãos o futuro de sua família. E muito menos a que custo!
Numa livre inspiração em 27 carros de algodão, de Tennessee Williams, o texto de Macena é ao mesmo tempo conciso e de extrema densidade psicológica. Os três personagens resumem a triste realidade de violência e abuso com que a sociedade brasileira infelizmente ainda convive.

“Abuso físico e psicológico, violência doméstica e assédio moral ainda hoje são armas usadas diariamente nesse país, onde a cada onze minutos uma mulher é estuprada. Esperamos que as ‘Dianas’ não se calem mais”, exclama Marcio Macena.

Além da dramaturgia, outros destaques da montagem ficam para a trilha sonora de Felipe Roseno e Federico Puppi com músicas interpretadas especialmente por Maria Gadu e a sensível iluminação de Cesar Pivetti e Vania Jaconis (além de passagem de tempo, a luz é mais um personagem na árida trama nordestina). Fiquei impressionado também com a composição de personagem de Annelise Medeiros: de uma delicada e submissa nordestina, a atriz encerra a peça com uma Diana amadurecida e consciente de seu papel, por mais que sua trajetória tenha sido de dor e sofrimento.
Espetáculo comovente, que ajuda na luta contra a opressão à mulher.

Peça: Pedras Azuis, foto 3

Annelise Medeiros: delicado desenho de Diana

Roteiro: 
Pedras Azuis. Texto, direção, cenário e figurino: Marcio Macena. Elenco: Annelise Medeiros, Emanuel Sá e Neto Mahnic. Direção de produção: Fernando Rocha. Voz em off: Zeca Baleiro. Trilha sonora: Felipe Roseno e Federico Puppi (intérprete das músicas: Maria Gadú). Desenho de luz: Cesar Pivetti e Vania Jaconis.  Cenário e figurino: Marcio Macena. Prosódia: Samuel de Assis. Fotografia: Leekyung Kim.
Serviço:
Viga Espaço Cênico, sala Piscina (35 lugares), Rua Capote Valente, 1323, tel. 11 3801-1843. Horários: quarta e quinta, às 21h. Ingressos: R$ 50 e R$ 25. Duração: 60 min. Classificação: 16 anos. Temporada: até 26 de outubro.

Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
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