Peça: Pi-Panorâmica Insana, foto 1

Pi- Panorâmica Insana: montagem reflete o homem no mundo contemporâneo

De em junho 8, 2018

Peça: Pi-Panorâmica Insana, foto 1

Elenco: Rodrigo Pandolfo, Leandra Leal, Cláudia Abreu e Luiz Henrique Nogueira

Depois do premiado espetáculo Grande Sertão: Veredas  sobre o clássico romance de Guimarães Rosa, a diretora Bia Lessa está de volta com mais uma produção de grande impacto: Pi- Panorâmica Insana. Com dramaturgia criada durante os ensaios e textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna (e citações de Franz Kafka e Paul Auster), o espetáculo se propõe a refletir sobre o que o Homem fez com o planeta Terra. No programa da peça, a diretora é enfática:

“Este espetáculo é sobre nós. Criamos um mundo que não nos serve. Tudo virou um comércio. A que ponto chegamos? Algo precisa ser feito e o espetáculo é a nossa necessidade de dizer algo neste aqui e agora”, exclama Bia Lessa.

A montagem acontece no Novo Teatro, espaço em reconstrução, como a diretora desejava, e conta no elenco com Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo.

Peça: Pi-Panorâmica Insana, foto 2

Dirigidos por Bia Lessa, atores vivem 150 personagens

Avessa a espaços tradicionais de encenação, Bia Lessa descobriu que o antigo Teatro Dias Gomes estava em reforma e solicitou à administradora do local para que pudesse realizar seu espetáculo antes da inauguração. Desta forma, a montagem acontece num espaço de 23m X 20 m (plateia formada por 280 cadeiras de plástico numa lateral) e com mais de 10 mil peças de roupas espalhadas pelo chão. O público entra e os atores já estão naquele espaço revirando as roupas e incorporando os 150 personagens da peça, de diferentes nacionalidades.

Em cenas curtas e textos esparsos, a trama faz uma radiografia do mundo contemporâneo, trazendo histórias reais e dados assustadores, como os 65,6 milhões de refugiados no mundo segundo a ONU, as 66 mil mulheres e meninas mortas por ano de forma violenta, as desigualdades entre ricos e pobres, a fome e a desnutrição que assolam o mundo, o extermínio de pessoas da comunidade LGBT (o Brasil é o campeão mundial deste tipo de crime), além das guerras, conflitos armados e a intolerância religiosa que provocam mortes e desamparo a uma infinidade de vítimas. Num jogo cênico ágil e frenético, os quatro atores perambulam pelo espaço, tiram e colocam os figurinos que recolhem do chão e vão apresentando os relatos curtos daqueles personagens, que no fundo representam toda a humanidade dos dias atuais; os temas variam de sexualidade, violência urbana, miséria, riqueza, política, religiosidade, amor, vida e morte.

Pi- Panorâmica Insana acabou de estrear (temporada prevista até final de julho), mas já pode ser considerado um dos mais importantes espetáculos do ano. Além da inovadora e criativa proposição cênica e da contundente dramaturgia, Bia Lessa retoma sua preocupação com a trilha sonora, como fez em Grande Sertão: Veredas, em que o som da mata, do sertão, dos animais e as vozes dos atores eram reproduzidos e o público seguia tudo com fones de ouvido. Desta vez Dany Roland e Estevão Casé criaram um universo sonoro próprio, em que as vozes dos atores em algumas cenas são alteradas eletronicamente e se fundem aos ruídos do ambiente e às músicas, amplificando a tensão e a proposta dramatúrgica. E esta densidade cênica só é possível graças à interpretação visceral e à entrega de Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo para os 150 personagens que vivenciam: todos têm cenas marcantes, que causam grande empatia com a plateia. E o final, de grade efeito plástico, deixa a todos literalmente impactados. Impossível sair do espetáculo sem refletir sobre os efeitos da ação humana sobre o Planeta e o que devemos fazer para reverter esta situação catastrófica.

Peça: Pi-Panorâmica Insana, foto 3

Espaço de 23m X 20m, com 10 mil peças de roupas

Roteiro:
Pi
Panorâmica Insana. Dramaturgia: Bia Lessa, Júlia Spadaccini e Jô Bilac. Textos: Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna com citações de Franz Kafka e Paul Auster. Direção geral: Bia Lessa. Elenco: Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo. Diretor assistente: Bruno Siniscalchi. Concepção musical: Dany Roland. Desenho de som: Estevão Casé. Figurino: Sylvie Leblanc. Iluminação: Bia Lessa e Wagner Freire. Cenografia: Bia Lessa. Fotografia: João Caldas. Produtoras: Selma Morente e Célia Forte. Realização: Morente Forte Produções Teatrais.
Serviço:
Teatro Novo (280 lugares), Rua Domingos de Moraes, 348 (próximo Estação Ana Rosa), tel. 11 3542-4680. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: sexta R$ 50 e sábado e domingo R$ 70. Bilheteria: terça a quinta, das 14h às 19h; sexta a domingo a partir das 14h. Vendas: www.ingressorapido.com.br. Duração: 90 minutos. Classificação: 16 anos. Temporada: até 29 de julho.

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